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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 15 de Abril de 2010, 21h:32

VICENTE VUOLO

A traição aos cuiabanos (II)

Não querem que eu vá a Cuiabá. Querem me calar. Cuiabá completou no último dia 08 mais um aniversário sem ferrovia. A chegada dos trilhos da ferrovia em Cuiabá foi uma promessa. Um compromisso de honra. Anunciado em 2001, 2002, 2004, no PAC I e agora no PAC II. E nada das obras. Foram inúmeras reuniões. A última ocorreu no Gabinete do Ministro dos Transportes. Eu estava lá. Estavam presentes, além do Ministro Alfredo Nascimento, parlamentares, o Presidente do Fórum da Ferrovia, Vereador Francisco Vuolo, o Vereador Carlos Haddad representando a Câmara Municipal de Cuiabá, o Presidente da América Latina Logística (ALL), Bernardo Hees, o Deputado Wellinton Fagundes, o representante da ANTT, dentre outras autoridades. Nesse dia, foi assinado o Termo Aditivo e expedida a ordem de serviço para o reinício das obras da ferrovia Alto Araguaia - Rondonópolis – Cuiabá. Os investimentos anunciados pelo Ministro e pela ALL seriam da ordem de R$ 3 bilhões. O prazo para inauguração do Terminal Ferroviário de Rondonópolis seria dezembro de 2008. E o Terminal Ferroviário de Cuiabá em 2010. E o que aconteceu de lá para cá? Nada. O contrato feito entre o Ministério dos Transportes e a ALL, permitiu essas aberrações. Simplesmente, a concessionária solicita o adiamento sob qualquer pretexto que lhe for mais conveniente, e é atendida. Onde estão os órgãos fiscalizadores? Para que serve a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestre)? E para completar, tem gente que representa Mato Grosso no DNIT que trabalha contra a ferrovia cuiabana e defende apenas o trecho de Lucas do Rio Verde – Uruaçu, atendendo única e exclusivamente a um grupo privado que fez um mega investimento na cidade. Ele propõe uma ferrovia de 1600 quilômetros, enquanto para chegar a Cuiabá seriam só 400 quilômetros . Isto é um despropósito. Como vocês podem observar, a política adotada em nosso Estado nos últimos anos priorizou apenas um segmento da economia mato-grossense. Enquanto isso, as cidades históricas foram abandonadas. Cidades como Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Nobres, Rosário Oeste, Alto Paraguai, Nortelândia, Arenápolis, Acorizal, Jangada, Barão de Melgaço, Santo Antônio de Leverger, Cáceres, Poxoréo, Guiratinga, Tesouro, Dom Aquino, Vila Bela da Santíssima Trindade, se transformaram no maior bolsão de pobreza de nosso Estado. A maioria dessas cidades nasceu a partir da exploração mineral. Com o fim do ciclo do ouro, elas entraram em estagnação. Com Alto Araguaia foi diferente. Quando parecia que tudo estava perdido, a pacata cidade, que ficou por décadas convivendo com o atraso, inclusive com a sua população residente em escala decrescente, enxergou uma luz no fim do túnel. Era preciso incluir o município no ciclo da ferrovia. Havia, porém, o risco da ferrovia não cortar o município, como estava previsto inicialmente. Mas, foi graças à reação da classe política local, com a interferência direta do Senador Vuolo junto a Ferronorte, que o traçado foi alterado. Foi realizado uma grande manifestação popular em defesa da ferrovia. O ponto alto foi o Seminário “Alto Araguaia nos Trilhos da Ferrovia Senador Vuolo”, que contou com a presença de milhares de pessoas. Lembro-me como se fosse ontem. O meu pai, mesmo doente, compareceu. E num discurso emocionado, convenceu os diretores da Ferronorte. Foi o grito do Araguaia, do povo e de lideranças políticas como a Prefeita Noêmia (anfitriã), ex-prefeito Maia Neto, o ex-vereador Alcides (hoje prefeito local), o saudoso Senador Jonas Pinheiro, que mudaram a história do município. Vejam como uma cidade histórica pode sair da decadência econômica, com a implantação de uma ferrovia de integração. Ou seja, uma ferrovia para atender a todos. Alto Araguaia que arrecadava pouco mais de R$ 300 mil por mês, passou a arrecadar 15 vezes mais, a partir da inauguração do Terminal Ferroviário no município, se tornando um pólo industrial em pouco tempo. Portanto, veja como uma cidade sem vocação agrícola pode renascer das cinzas, com a chegada da ferrovia. É isso que desejamos, desenvolvimento com distribuição de riqueza. Volto a dizer. A Ferrovia Senador Vuolo não pode e não deve ter dono. Muito menos estar nas mãos de empreiteiras. Só o Estado, representando o povo, deve determinar o que é prioritário. Ainda há tempo para corrigir o erro, afinal, quem pagará por isso é a população que mais precisa. * VICENTE VUOLO é cuiabano, economista formado pela Universidade de Brasília e ex-vereador de Cuiabá.

Edição EDIÇÃO 16969




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Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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