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ARTIGO
Sexta-feira, 07 de Agosto de 2009, 20h:23

APARECIDO DE ASSIS

A responsabilidade ética

Falar em ética em nossos dias atuais caracteriza como um desafio, até mesmo porque a palavra ética tornou-se uma palavra pejorativa, sem sentido para grande parte das pessoas. Talvez a perda de sentido da ética esteja relacionada ao desprezo das pessoas aos valores morais em suas atitudes e comportamentos no seio social. Tomemos como exemplo a responsabilidade e a honestidade. Hoje em dia, uma pessoa que é responsável e honesta é classificada como uma pessoa muito pouco esperta e ingênua. Isto leva em conta a inversão de valores que se encontra muito enraizado em nossa sociedade atual. A inversão de valores traz consequencias ruins, porque fica difícil a própria convivência social. Cada um age com desconfiança um do outro, se fechando em seu próprio eu, criando para si próprio e para as outras pessoas o que se chama de “doença social”, o estresse, a depressão e a ausência de sentido de sua própria vivência no mundo. Immanuel Kant (1724-1804), grande filósofo da era moderna, causou uma revolução na ética, concebendo-a mais do ponto de vista racional e não religiosa. Ele formulou o imperativo categórico que diz assim: “Age de tal maneira que suas ações se tornem leis universais”. Para muitos o imperativo categórico foi um grande achado. Se eu agir, de forma que as minhas ações se universalizem isso significa que devo admitir que elas se tornem leis válidas para todos. A ética consiste assim, em todas as minhas ações devo considerar que todas as pessoas podem fazer a mesma coisa. Exemplo, se eu pratico um roubo, isso deve ser válido para todos? Se eu pratico o homicídio, isso deve ser permitido? Todos podem praticar a mesma coisa? Deve ser permitido legalmente que as pessoas matem umas as outras por qualquer motivo? A ética kantiana se direciona por esse caminho, no sentido de reafirmar que para além do legal há o moral. Nem tudo que é legal é moral. Entretanto, o imperativo categórico, sendo categórico ele não pode ser impositivo, porque em Kant não existe uma ética que seja impositiva. A minha consciência moral leva em conta a minha livre tomada de decisão ou pela ética ou pelo antiético. O que é mais comum é a imoralidade e não a moralidade. Com isso, a opção pela ética e pela moral exige do homem esforço a fim que ele procure, conscientemente, sobrepor o que é moral sobre aquilo que é imoral na sua vida. Esse esforço já começa consigo mesmo, na tentativa de mudar de vida, de deixar de ser egoísta e individualista e ser mais solidário com os outros. No entanto, de acordo com a nossa realidade atual, como podemos ser solidários se não estabelecemos mecanismos e mesmo acordos de uma boa convivência social? Como podemos ser solidários quando o individualismo toma conta de nós a tal ponto de desprezarmos uns aos outros? Como podemos ser solidários se os direitos e a dignidade da pessoa humana não são respeitados? É necessário mais que tudo lutarmos contra a inversão dos valores sociais e darmos mais ênfase às pessoas que são responsáveis, honestas, cumpridoras de seus deveres, defensoras dos direitos humanos e daqueles que necessitam de uma vida mais digna. Precisamos, mais do que nunca, que a responsabilidade ética seja valorizada. * APARECIDO DE ASSIS, Professor de Filosofia da Unemat. Doutorando em Filosofia pela PUC de São Paulo [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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