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ARTIGO
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 21h:42

PAULO RONAN

A nova CPMF travada

Eu gosto do parlamento, principalmente sou parlamentarista, plagiando o maior de todos os poetas. Vivo atormentado pela complicada situação que se enfiou o nosso depois que inventaram a palavra governabilidade. Hoje em dia os governos decidiram não ter oposição. E não querem ter maioria, exigem dos seus operadores políticos a unanimidade. Primeiro estabelece uma larga maioria forjada nas eleições e daí parte para a cooptação que lhe dá durante o mandato a tal hegemonia parlamentar. No plano nacional o PMDB perdeu todas as eleições diretas que disputou no plano federal e foi poder em todos governos daí gerados. Retrata desta forma de forma nítida e transparente o enunciado acima. Não acompanho mais com a paixão juvenil de antes. Fui um apaixonado pelos plenários, debates etc. Sabia as pautas. Lembro aqui de uma bancada do velho MDB formada por Dante de Oliveira, Márcio Lacerda, Paulo Nogueira e Isaias Rezende que deu trabalho ao governo de dr. Frederico Campos, o governador da época. Dava prazer ir às galerias da assembléia. Teve uma fase boa no governo Júlio Campos, quando começou despontar para a política Luiz Soares. Lembro de José Lacerda, Hermes de Abreu. Oswaldo Sobrinho foi um bom deputado estadual. Sucena, também. Despertado pelo Luiz Soares comecei a observar Haroldo Arruda. Bom deputado! Zanete Cardinal. Antônio Joaquim teve momentos bons. Wilson Santos no primeiro mandato deve ter sido talvez o melhor deputado da geração dele. Convidado por ele, intervim como economista à época na cadeira de Macroeconomia da UFMT, em uma audiência pública conjunta com Assembléia do Mato Grosso do Sul por ele proposta. Sinceramente, não sei se tem outra experiência na história de dois parlamentos se unirem em torno de um problema. Lembro que era sobre a venda de Urucum para a Vale. No plano nacional acompanhei até a pouco. Ainda dou uma olhada. Lembro sem consultar os votos de Antero Paes de Barros, Percival Muniz, Joaquim Sucena e Márcio Lacerda para o parlamentarismo em 1988. Lembro da votação da quebra do monopólio do petróleo e que transformou a petróleo num player internacional. Engraçado Nosso Guia à época gritava e agora não cancela esta lei com toda maioria que tem, será por que hein? Repito hoje dou umas olhadas. Foi numa delas que tive saudades deste passado. Está interessante esta briga pela recriação da CPMPF. O governo descobriu, não sei como, que pode recriá-la sem precisar de emenda constitucional. Confesso que gosto de parlamento, mas irrita estes emaranhados regimentais. E além de tudo sempre achei que matéria deste tipo tinha de ser iniciativa do Executivo. Alguém me convenceu que não, apesar de não lembrar com qual argumento. Pois bem, com a maioria absoluta que passa precisar por não ser emenda constitucional (aí cairia na ditadura dos 3/5) o governo contou com o ovo antes da hora. O governo aprovou o texto original por apenas dois votos trinta dias atrás. Só para se ter uma idéia se o nanico PDC mantivesse a questão fechada que tinham minutos antes da votação, seus 6 deputados imporiam uma derrota ao governo. Foram convencidos da importância do imposto por uma diretoria na nova empresa da Petrobras, a Biocombustíveis S.A, que agora o governo nega a entregar. No Senado o governo não tem como aprovar, porque faltam os 41 votos da tal maioria absoluta. E na Câmara apesar de ter derrubados um destaque da oposição na ultima quarta-feira, esvaziou a sessão com a desculpa do jogo da seleção, mas parece que teria problemas na votação de mais três. Esta questão nem é de cunho ideológico e não tenho grande paixão pelo assunto e nem acho relevante do ponto de vista econômico. Mas gostei de ver o parlamento se mexendo. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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