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ARTIGO
Segunda-feira, 20 de Julho de 2009, 20h:39

LUIZ CESAR DE MORAES

A magia das palavras

Quando eu era ainda pequeno ouvi alguém dizer que há palavras mágicas com poderes mil. A história de Ali Babá e seu séqüito é um exemplo do que me ficou na memória. Bastava o líder dos ladrões dizer “Abra-te Sézamo”, e a montanha se abria, permitindo à malta entrar e esconder o produto dos seus roubos. Um personagem de histórias em quadrinhos, de saudosa memória, também tem lugar especial no rol de lembranças que me vem à mente. Era só proferir a palavra mágica “Shazam”, para se transformar em um super-herói com poderes para vencer o vilão. Já um astro de circo bradava “sin salabim” ou “abra-cadabra” antes de seus truques, conseguindo iludir a platéia e fazer a alegria da meninada. Qual jovem não se lembra de ter pedido, nos tempos de infância, “pelos poderes de Greichkull!”? Tratava-se de pedido importante, após o qual o herói era investido de poderes especiais e forças hercúleas para lutar contra o mal. Há outro grupo de palavras, no entanto, que embora não tenha aquela aura de magia massificada pela mídia, nem tampouco seja valorizado por um grande número de pessoas, também tem mágicos poderes. Ainda bem cedo aprendi que palavras como “por favor”, “com licença”, “me desculpe” e “obrigado”, integram esta lista de vocábulos que abrem qualquer porta. É de se lamentar que ultimamente tais palavras mágicas, com solução para as mais diferentes questões que afetam o ser humano, estejam tão esquecidas da população. Por mal dos pecados, parece que está fora de moda ensinar às crianças a “magia” das palavras que evidenciam uma boa educação e que fazem a diferença em qualquer lugar. Hoje em dia é comum ver mulheres viajando de pé, em ônibus urbanos, ao lado de homens jovens e fortes que se recusam a ceder-lhes o lugar. Mesmo quando se trata de mulher gestante ou idosa, ainda assim a maioria dos homens fica impassível, desprezando totalmente as regras de cortesia que aprendeu quando criança, ou já como adulto. Numa reunião de que participei uma mulher levantou-se para falar, porém um homem fez questão de disputar a vez com ela e foi quem falou primeiro, transgredindo as mais comezinhas regras da etiqueta, da cortesia, da boa educação, enfim. Às vezes eu fico imaginando se não seria o caso dessas palavras mágicas constarem de campanhas publicitárias permanentes, seja no rádio, em jornais, televisão, revistas, out-doors e outros meios, de modo a alertar às pessoas de que o mundo jamais pode relegá-las à uma importância menor. É preciso lembrar às crianças que as palavras mágicas existem para promover a boa vontade nas pessoas. LUIZ CESAR DE MORAES é jornalista

Edição EDIÇÃO 16963




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