Nem todos sabem a hora de sair. Seja de uma reunião, de um evento qualquer, onde esteja sendo visto como um estranho no ninho, o inconveniente de plantão, ou, principalmente, de um cargo público de confiança. Nesse aspecto, há que se observar a conduta do ex-todo-poderoso ministro Antonio Palocci: ele soube o momento de deixar o governo antes que o governo o deixasse na mão, falando sozinho e sem a força de continuar sendo interlocutor privilegiado de Dilma Rousseff. Enrolado pela denúncia e suspeitas de ter alavancado em curto espaço de tempo uma fortuna pessoal considerável feita através de consultorias a grandes empresários, Palocci definiu sua saída no tempo certo. E nem por isso, por deixar de ser vitrine, ele vai continuar fora do eixo do poder no âmbito do PT e do governo federal. Alguém duvida? Disse adeus sem ir embora justamente quando, ao invés de principal ministro de Dilma Rousseff, caso teimasse em continuar, estava já se transformando em um fardo pesado para a presidente da República carregar. Para vazar na hora certa, é preciso ter o desconfiômetro sempre aceso como o de Palocci, e não são todos os que possuem esse dom. Diante de muitas situações constrangedoras ou a caminho de sê-la, mais do que dom pode ser visto como uma virtude providencial e de bom senso. A de dizer fui e cair fora no momento exato. Seja porque são mesmos insensíveis à hora de bater em retirada, ou porque têm apego exagerado às benesses e status propiciados pelas posições que eventualmente ocupam na chamada vida pública, muitas cartas manjadas que já eram para estar fora do baralho insistem no jogo desgastante. E por não terem o feeling da saída, quando a queda se torna inevitável, geralmente as conseqüências, mais do que crises políticas, costumam se transformar em denúncias e processos judiciais. Mas, até que isso aconteça, prosseguem constrangendo superiores hierárquicos, inclusive com mandatos eletivos para o exercício de funções executivas e que acabam, aos olhos da opinião pública, sendo vistos como inferiores em termos de poder real quando comparados com aqueles que atuam e se postam como os verdadeiros manda-chuvas. Escancarando um poder que é questionado, justamente pelo fato de que não faltam ilações e dúvidas sobre como foi ou como está sendo construído. Exemplos, nesse sentido não faltam, aqui e alhures, e o leitor, inteligente, que tire suas conclusões e eleja os que transformam governantes em meras figuras decorativas, tomando decisões por eles e, inclusive, antecipando-as, através da Imprensa. Quem sabe faz a hora e não espera acontecer... E já está passando da hora do murro na mesa e do basta!, governador. Aqueles que deixaram de fazer isso no tempo certo, pagaram preços políticos e eleitorais que a história recente registra. Mário Marques de Almeida é jornalista. www.paginaunica.com.br. E-mail:
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