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ARTIGO
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 17h:55

* MÁRIO M. DE ALMEIDA

A farsa de Zé do Pátio

Um ditado popular reza que uma mentira repetida até a exaustão, acaba por se tornar verdade. Mas isso só acontece por ignorância, cegueira ou falha de quem tenha capacidade e sagacidade para repor a verdade. Por isso, decidi dar uma contribuição à história política de Mato Grosso, resgatando a verdade dos fatos que envolvem a eleição de Zé do Pátio em Rondonópolis. A grande mentira que vem sendo reproduzida por alguns órgãos de imprensa é que a traição de Zé do Pátio a seu partido, o PMDB, apoiando hoje a pré-candidatura tucana a governador, tem origem na suposta recusa do vice-governador Silval Barbosa em apoiar o então candidato a prefeito da segunda maior cidade mato-grossense. Portanto, a decisão de Zé de não apoiar agora Silval, seria uma espécie de troco, “vingança” de quem antes foi “abandonado” pelas lideranças peemedebistas. Balela, engodo, conversa pra boi dormir, mentira deslavada! Na verdade, Zé do Pátio nunca quis o apoio de Silval Barbosa e mesmo do presidente do PMDB e sua liderança maior, o deputado federal Carlos Bezerra. Silval e Bezerra foram praticamente proibidos de subir no palanque de Pátio e mesmo de tomar qualquer iniciativa eleitoral que os vinculasse ao candidato a prefeito. Zé queria distância das lideranças maiores do PMDB, até porque isso era fundamental dentro da sua estratégia para vencer as eleições. A única chance de Zé do Pátio vencer as eleições contra o então prefeito Adilton Sachetti, que fez uma verdadeira revolução em termos de gestão pública no município, saneando as finanças e modernizando a máquina administrativa, era se travestir de Zé do Povo, o candidato dos pobres contra os ricos. O objetivo era fazer um corte ideológico na sociedade de Rondonópolis - um tanto demodé, diga-se de passagem, mas que funcionou. Para encarnar o Zé do Povo, o candidato dos pobres, Zé do Pátio precisava afastar a presença de qualquer grande liderança política, especialmente Silval e Bezerra. Precisava passar para o povão a imagem de que não tinha nenhum “poderoso” ao seu lado, mesmo que fossem as principais lideranças de seu partido. A estratégia foi disseminada pelo marketing da campanha e ‘colou’, garantindo a vitória. A paternidade pela candidatura não era do PMDB e seus líderes, mas das periferias. E isso contaminou o processo eleitoral, se espraiando por vários outros segmentos sociais de Rondonópolis. Por isso, Zé do Pátio, na realidade (e isso está sendo colocado aqui, pela primeira vez), ficou felicíssimo quando Silval Barbosa - por uma questão de ética e respeito ao governo que integrava como vice-governador – informou que não poderia participar diretamente da campanha em Rondonópolis. E Pátio fez mais: constrangeu Bezerra com a resposta de que não tinha interesse também na presença de diversas lideranças nacionais e ministros fortes do PMDB no governo Lula, que já haviam sido contatados e se dispuseram a subir no palanque do então candidato a prefeito. A ausência dos ministros, para efeito de divulgação, foi então justificada como um problema de agenda dessas autoridades. Os ministros foram então apoiar a candidatura de Nelson Trad em Campo Grande, contribuindo para sua vitória. Zé do Pátio conseguiu ficar apenas com o apoio que lhe interessava da parte do PMDB, o apoio de bastidores e o aporte estrutural que o partido não poderia recusar. Assim, rejeitou a presença dos ‘poderosos’ e pode se apresentar ao povão como vítima, como excluído, gerando um sentimento de ‘pena’ junto ao eleitor e fortalecendo sua falsa imagem de paladino dos pobres e oprimidos. Hoje toda a equipe de marketing – profissionais de reconhecida competência - que atuou em 2008 está arrependida de ter contribuído para a eleição de um homem que, no comando do mais pujante município do interior, hoje penaliza a cidade e a população mostrando sua verdadeira face: um péssimo gestor e traidor do partido através do qual se elegeu. A incompetência, o calote em fornecedores, os cheques sem fundos e o abandono em que se encontra a cidade atestam bem o verdadeiro perfil de Zé do Pátio. A história se encarregará, entretanto, de fazer justiça em Rondonópolis. O povo não é bobo e já percebeu o desastre que foi o primeiro ano da gestão (ou melhor, indigestão) Zé do Pátio. Os próximos anos, infelizmente, também devem trazer novos dissabores ao cidadão carente de Rondonópolis, com os serviços públicos deficientes e as promessas não cumpridas. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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