Não se sabe onde vai parar essa crise americana. Uma agência governamental do setor de habitação entrou em parafuso e promete lances de perigo nas próximas semanas. O assunto está meio esquecido porque montaram um pior já passou. É uma espécie de BNH de lá e alguém já falou em mandar o Sarney para lá. O daqui, quando fez água, ele pagou tudo, quitou as casas de todo mundo e mandou a conta para o orçamento da União. Ou vocês acham que aquela inflação de 80% mensal no governo dele era de graça? Acontece que esta agência tem papel no mercado financeiro e o governo fez um paliativo segurando a barra, mas falam que o rombo é de quase um trilhão, ou seja, quase o que já foi gasto em todo mundo pelos bancos centrais americano e europeu. Bem maior do que o rombo do Bear Stearns, que causou 7 mil demissões. Aliado a isso e sem saber a conexão real entre ambas, tal como a do setor financeiro, começa uma onda de problemas de liquidez na economia real. A General Motors está buscando 15 bilhões de dólares no mercado e a turma não quer emprestar. Isso é merreca em se tratando de uma empresa gigante. Existe todo um esquema de garantias que não deixa ninguém na mão num negócio deste tamanho. Acho que a turma está mesmo é sem grana no caixa. A inflação, que deu uma acalmada, voltou a dar sinais de vida na Ásia. Por aqui acalmou, mas o Banco Central não quis brincar. Aumentou de novo o juro e a banqueirada anda rindo a toa. O governo conseguiu aumentar a arrecadação. A turma da receita, para agradar o Nosso Guia, vem gritando e falando em eficiência da máquina. Conversa fiada. O IOF, que foi aumentado por decreto, deu o ar da graça e arrecadou 9,6 bilhões somente nos seis primeiros meses deste ano. Aumento de 150% em relação ao ano passado. A CSLL (contribuição social sobre o lucro liquido), que foi aumentada para os prestadores de serviços, na verdade foi uma picaretagem do governo para tirar uma casquinha no boom de financiamentos país a fora. Estão financiando carro em 84 prestações. Onde entra o governo? Onde está escrito prestador de serviço, leia-se: banco. Aumentando este imposto pega os bancos, que sem pudor nenhum repassam o custo para os empréstimos. Indiretamente o governo acaba de dar uma mordida nos empréstimos consignados da turma do INSS e dos financiamentos dos corsinhas que invadiram as cidades brasileiras. Nem bafômetro resolve o caos que virou o trânsito no Brasil. O dólar virou pó. Com isso o governo conseguiu desorganizar o setor exportador e exportar fábricas para a China. O setor de commodities agrícolas e metálicas está se segurando por conta do aumento em dólar e da queda dos fertilizantes importados. Mas vêm novidades por aí. A Ásia vai acusar o golpe da crise americana agora. O fim das Olimpíadas é o marco zero. O dólar baixo continua complicando nosso balanço de pagamentos e agora chegou o rombo das contas via degradação da nossa dívida interna. O governo arrecadou bem no semestre, mas viu toda sua fome tributária ir para o ralo. O governo tomou emprestado no mercado 24 bilhões e pagou 30 de dívidas. Esta diferença de 6 que os economistas chamam de captação líquida é, na verdade, quanto o governo descontou da divida. Ou seja, amortizou. Acontece que este resultado foi para o esgoto porque sua dívida cresceu 13 bilhões por conta dos aumentos anteriores de juros. Taí a conseqüência pratica dos aumentos de juros além de enriquecer banqueiro. Se fizermos a conta que os juros vinham aumentando em pequenas doses de 0,5% ao mês e agora o governo inaugurou a dose mínina de 0,75% podemos nos preparar para o pior. E o que tem isso a ver com nós, simples mortais? O sistema financeiro sobe os juros também, mas numa proporção bem maior que o aumento do governo, porque banqueiro brasileiro não gosta de risco e os que pagam em dia têm de pagar também para os que não pagam. Logo a turma do consignado de risco zero vai pagar para a turma do carro financiado. Já falam em inadimplência de 7%. Rezar. * PAULO RONAN é economista
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