ARTIGO
Quinta-feira, 05 de Janeiro de 2012, 20h:12
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LAURA NABUCO
A César o que é de César
No início da semana, e de seu último ano à frente do Palácio Alencastro, o prefeito de Cuiabá, Chico Galindo (PTB), declarou que só adotou medidas consideradas impopulares no decorrer do ano passado porque gostaria de deixar o cargo com a imagem de um bom prefeito. De maneira velada, se defendeu das críticas à sua atuação, alegando que só é considerado um mau gestor porque procura ser justamente o contrário. Como vem afirmando que seus planos são de deixar a eleição municipal passar e só retornar ao cenário político em 2014, para disputar uma das 24 vagas de deputado estadual da Assembleia Legislativa, o petebista deixa transparecer que pretende colher os frutos a longo prazo. Quem sabe na esperança que até lá a população esqueça o que classificou como ruim nos quase três anos de seu mandato e fique apenas com a sensação nostálgica de achar que era feliz e não sabia. Que a memória da população é curta ninguém discute, que diga o ilustre ex-presidente da República Fernando Collor de Melo, que deixou o Palácio do Planalto escorraçado e, anos mais tarde, acabou eleito senador. Mas não é preciso nem ir até o estado de Alagoas em busca de exemplos, na vizinha Várzea Grande as críticas ao ex-prefeito Murilo Domingos (PR) vêm de longa data. Mesmo assim, o republicano voltou ao cargo em 2008 e não é de se duvidar que seu vice durante o segundo e mais conturbado mandato, hoje prefeito, Tião da Zaeli (PSD), também seja reconduzido. O que chama atenção, no entanto, não são os erros ou acertos, escândalos ou aplausos, que cada um deles cometeu ou enfrentou no período em que responderam como gestores públicos, mas a reação da sociedade perante tudo isso. Em nenhum dos casos faltaram pedras atiradas, desde quando se noticiou um eventual ato de improbidade até quando a medida foi um simples reajuste de impostos, absolutamente dentro da legalidade. Nenhuma manifestação, contudo, que um sorriso, um aperto de mão ou um tapinha nas costas durante o período eleitoral não fosse capaz de reverter. O mais curioso mesmo nisso tudo, no entanto, são as reclamações pela demora do Judiciário em definir se a Lei da Ficha Limpa será validada ou não. Aliás, até hoje, dois anos após a entrega da proposta ao Congresso, ainda não entendi como um projeto desses partiu da iniciativa popular. Do mesmo povo que vota e elege aqueles que quer longe do comando do país. LAURA NABUCO é repórter do Diário