Dos nove estados que fazem parte da Amazônia Legal, Mato Grosso foi o único a registrar aumento no desmatamento em 2025, comparado a 2024.
No ano passado, a taxa de devastação da floresta no Estado foi de 1.572 km², o que representa um incremento de 25,06% em relação ao ano anterior, com 1.257 km² destruídos.
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Os dados são do Prodes, sistema que integra o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foram apresentados no dia 30 de dezembri, em Brasília, com as presenças das ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Segundo o Prodes, em toda a Amazônia, foram destruídos 5.796 km², o que corresponde uma redução de 11,08% em relação a 2024, marcando o menor índice dos últimos onze anos.
Todos os demais oito estados da região apresentaram queda no desmate, com destaque para Tocantins (-62,5%), Amapá (-48,15%) e Roraima (-37,39%).
Com mais de 1,5 mil km² atingidos, Mato Grosso respondeu por 27,12% de toda a área derrubada, ficando atrás somente do Pará, com 2.098 km² (36,20%).
Em terceiro lugar aparece o Amazonas, com 1.016 km² (17,53%), seguido do Acre, que registrou desmate de 325 km² (5,61%) no ano passado.
Chamou a atenção dos órgãos federais de monitoramento e ligados ao meio ambiente o fato de que, apesar de a Amazônia ter registrado queda de desmatamento, é verificado um incremento da área atingida por degradação progressiva, que saltou de 7% em 2022 para 38% (2.203 km²) do valor total derrubado em 2025.
De acordo com as autoridades nacionais, Mato Grosso foi muito afetado pela degradação progressiva, que corresponde a área atingida por grandes incêndios florestais e com grandes impactos que podem levar ao colapso completo da floresta.
Esse cenário pode ser explicado pelo agravamento das mudanças climáticas e pela seca extrema que o bioma amazônico sofreu por dois anos consecutivos, ou seja, entre 2023 e 2024.
Vale registrar, no entanto, que o Estado registrou queda no número de focos ativos de calor no ano passado, com 11.061 ocorrências. Em 2024, foram 50.551 focos, conforme dados do Inpe.
CERRADO – Conforme os dados do Prodes, o Cerrado também registrou queda nos índices de desmatamento em 2025.
No bioma, a taxa estimada foi de 7.235 km², indicando redução de 11,49% em relação ao ano anterior e muito concentrado na região do Matopiba.
O dado mostra que o bioma consolida uma tendência de desaceleração do desmatamento, após anos de crescimento e a reversão iniciada em 2024.
Os estados com maior área de vegetação suprimida foram Maranhão (2.006 km²), Tocantins (1.489 km²) e Piauí (1.350 km²).
Coordenador do Programa BiomasBR, Cláudio Almeida, aponta que os resultados positivos, que confirmam a tendência de queda do desmatamento nos últimos anos tanto para a Amazônia como para o Cerrado, são acompanhados por avanços tecnológicos cruciais para o aprimoramento contínuo do monitoramento.
“Vale destacar o avanço da tecnologia. Com o uso de mais informações do Brazil Data Cube, conseguimos uma medição em área ainda maior e com precisão aprimorada”, explicou Cláudio.
“Este ano, na estimativa da taxa de desmatamento, analisamos 95% da área com alertas, cobrindo praticamente toda a extensão no cálculo. Nosso objetivo é evoluir para monitorar 100% de todos os biomas ainda dentro do mesmo ano”, disse.
OPERAÇÃO AMAZÔNIA - No começo do ano, o Governo de Mato Grosso informou que aplicou R$ 2,7 bilhões em multas contra desmatamento ilegal e crimes ambientais em 2025.
Deste montante, 21,2% foram aplicadas de forma remota e 78,8% in loco.
O trabalho integra a Operação Amazônia, que é planejada a partir do monitoramento constante das alterações na cobertura da vegetação nativa do Estado.
No período, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) deflagrou 291 ações e atendeu a 3.749 alertas de desmatamento.
A fiscalização resultou ainda na emissão de 3.682 autos de infração, 2.300 notificações, 2.379 termos de embargo, 5.723 autos de inspeção, 916 termos de apreensão e 516 termos de depósito.




