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Quinta-feira, 15 de Março de 2012, 23h:04
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REFORMA NA CÂMARA
Vaso sanitário custa R$ 9 mil, atesta vistoria
Crea e Ibape, em vistoria técnica, identificaram detalhes do superfaturamento na reforma do prédio da Casa, que continua deteriorado
ALLINE MARQUES
Da Reportagem
Após um ano da reforma do prédio da Câmara Municipal de Cuiabá, a estrutura já apresenta defeitos como paredes deterioradas, com infiltração e rachaduras, além de gambiarras no sistema hidráulico e laje sem cobertura. A obra teve itens hiperfaturados e serviços que sequer foram executados, o que resultou em um sobrepreço de R$ 1,1 milhão. O vaso sanitário é um dos itens que estavam hiperestimados. Cada peça saiu cerca de R$ 9 mil a mais do que o preço de mercado. As irregularidades foram constatadas em relatório realizado por engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-MT) e do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape). Dos R$ 3,8 milhões orçados para a execução da obra, 33,66% do valor não foram realizados ou especificados. Os problemas foram encontrados não apenas no telhado, mas também nos banheiros, almoxarifado e sala de imprensa. As telhas de alumínio e cerâmica foram os itens com maior sobrepreço na obra. A telha de alumínio saiu com um superfaturamento estimado de R$ 640 mil, equivalente a R$ 300 por metro quadrado. A de cerâmica custou R$ 71 mil acima do normal, custando R$ 400 o metro quadrado. Foi possível identificar com clareza alguns itens de serviços desviados da finalidade, consta em trecho do relatório. De acordo com o relatório, existem inconsistências na planilha orçamentária realizada pela Secretaria de Habitação de Cuiabá. O órgão firmou um Termo de Cooperação Técnica com a Câmara e foi responsável pela licitação da obra e ainda cedeu o engenheiro Carlos Anselmo de Oliveira para acompanhar a reforma. Na realização de alguns serviços relacionados na planilha há erros na execução, como a troca da quantidade dos produtos especificados e também dos serviços prestados, traz trecho do relatório. Os técnicos responsáveis pela vistoria concluíram que a planilha não foi realizada por completo e ainda constataram sobrepreço e uma superestimativa do orçamento. Apesar dos detalhes técnicos e da constatação do superfaturamento, o relatório não identifica os responsáveis pelas falhas na obra. Para isso, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Cuiabá irá convocar os envolvidos para prestarem depoimentos já na próxima semana. O presidente da CPI, vereador Edivá Alves, informou que irá ouvir o engenheiro, dono da Alos Oliveira Ltda., empresa responsável pela execução da obra, e o vereador Deucimar Silva (PP), presidente da Casa na época da reforma. No entanto, caso outras pessoas sejam citadas poderão ser chamadas para prestar esclarecimento. Detalhes do relatório serão revelados em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira na sede do Crea-MT. Os engenheiros responsáveis pela vistoria irão apresentar dados e mostrar imagens que comprovam a situação caótica do prédio da Câmara Municipal de Cuiabá, que ainda apresenta sério problema na estrutura.