Poucos dias após ter retornado à Assembleia Legislativa por meio de uma manobra do PMDB para fortalecer a base aliada do governo, a deputada estadual Teté Bezerra (PMDB) admite em público que voltou ao Parlamento por pressão interna. A intenção do PMDB de retirar o suplente Adalto de Freitas, o Daltinho (PMDB), da vaga e, desta forma, reduzir as manifestações oposicionistas na tribuna já era visível, mas ainda não havia sido confessada pela ex-secretária. Teté, que é esposa do presidente estadual da legenda, deputado federal Carlos Bezerra, afirma que o pedido para seu retorno vinha sendo feito por lideranças peemedebistas desde o final do ano passado. Houve uma cobrança para que assumíssemos definitivamente o mandato aqui na Assembleia. Apesar da concretização da articulação ter pego de surpresa o próprio Daltinho, a deputada revela que não mudou seu relacionamento com o colega de agremiação. Nosso relacionamento é o mesmo de antes, garante. O retorno de Teté foi articulado após Daltinho proferir intensas críticas ao governo Silval Barbosa (PMDB). Mesmo filiado ao PMDB, o suplente adotou uma postura de oposição e não se abalou com os alertas de que perderia o cargo, caso continuasse com os discursos ácidos. O estopim da desavença com a legenda foi a veiculação de um artigo, por meio do qual Daltinho pontuou desmandos no Executivo e chegou a classificar algumas ações de Silval como corruptas. Teté retornou ao cargo um dia após a publicação do texto, deixando o comando da Secretaria de Estado de Turismo, cargo que ocupava desde o início desta Legislatura. No PMDB ainda há uma discussão sobre a possibilidade de expulsão de Daltinho. Contudo, o atual presidente do parlamento, deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), que também acumula a liderança do governo na AL, já adiantou que o debate não deve ter futuro. APROXIMAÇÃO - Teté afirma não ter distanciamento entre os parlamentares e o governo, mas pontua que sua atuação será para aproximar os dois Poderes. Isso porque a Assembleia tem demonstrado insatisfação com a gestão e resistência em aprovar algumas mensagens encaminhadas pelo Executivo.