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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016, 20h:44
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DÍVIDAS DA COPA
Tesouro diz que não há como dar mais ajuda
Secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, diz que não há espaço para mais ajuda aos estados
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
O governo não tem espaço fiscal para dar mais ajuda a estados e municípios, afirmou ontem a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi. Sua declaração é um sinal de que vai ser difícil a renegociação das dívidas contraídas pelos estados para as obras da Copa, pedido feito pelo governador Pedro Taques (PSDB) na reunião do presidente Michel Temer com os governadores no dia 20 de junho, em Brasília. O presidente interino Michel Temer já determinou os estudos para a renegociação das dívidas contraídas pelos estados para as obras da Copa. Porém, o estudo está encontrando barreiras tanto no BNDES quanto na Caixa Econômica Federal, instituições que liberaram os recursos. Agora, uma nova declaração contrária, a da secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi. Mato Grosso quer renegociar duas dívidas: a primeira é junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e é de R$ 392,95 milhões, referente à obra da Arena Pantanal e a segunda é de R$ 1,182 bilhão, liberados pela Caixa Econômica Federal para as obras do VLT Cuiabá-Várzea Grande. Cuiabá foi a cidade-sede do Mundial de 2014 que mais contraiu empréstimos para as obras da Copa: R$ 1,575 bilhão. No BNDES, onde dez dos 12 estados que tiveram cidades-sede da Copa tomaram recursos para reformar e construir estádios foram emprestados, segundo dados da instituição, R$ 4,1 bilhões dentro do ProCopa Arenas. Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas, por exemplo, receberam R$ 400 milhões cada um. Mato Grosso utilizou R$ 392,95 milhões para erguer a Arena Pantanal. Segundo integrantes da área econômica, no entanto, a renegociação desses débitos não será tarefa fácil. A principal resistência vem do próprio BNDES, que não quer alongar dívidas para obras que ainda estão cercadas de problemas jurídicos. Muitos dos estádios da Copa de 2014 foram alvo de investigação e questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU). O BNDES está firme nessa posição, afirmou um integrante da área econômica ouvido pelo Diário. No acordo selado com Temer no mês passado os estados conseguiram alongar suas dívidas com a União por 20 anos, com seis meses de carência total. Financiamentos de cinco linhas do BNDES também entraram no acerto, mas nenhum relativo à Copa do Mundo. Os débitos com o banco de fomento foram alongados por dez anos, com quatro de carência. Integrantes da equipe econômica relatam que a demanda por alongar dívidas da Copa vem, principalmente, de Mato Grosso e estados do Nordeste. Na reunião com Michel Temer, o governador de Mato Grosso, Pedro Taques, disse que os estados haviam sido compelidos a sediar a Copa e que, como estavam sendo solidários aos problemas do Rio de Janeiro com as Olimpíadas, também mereciam um tratamento diferenciado.