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Terça-feira, 21 de Junho de 2016, 20h:28
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POLÊMICA DO RGA
TCE confirma que RGA impacta na LRF
Em decisão unânime, os conselheiros destacaram que a concessão do benefício ao servidor impacta, sim, na LRF como gasto com pessoal
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) respondeu ontem à consulta feita pelo governo do Estado sobre a possibilidade de impacto da concessão do Revisão Geral Anual (RGA) na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em decisão unânime, os conselheiros da Corte de Contas destacaram que a concessão do benefício ao servidor impacta, sim, como gasto com pessoal na LRF. A resposta da consulta feita ao TCE reforça o que já havia sido dito pelo governo do Estado. Caso conceda o reajuste de 11,28% aos servidores do Poder Executivo, o gasto com pessoal ultrapassaria 54% da Receita Corrente Líquida (RCL). A Lei de Responsabilidade Fiscal determina gasto de, no máximo, 49% com pessoal. Com isso, a concessão do RGA levaria o Estado a infringir a LRF, como aconteceu no último quadrimestre de 2015, quando foi dado o prazo de 12 meses para a readequação das contas do Estado. Ou seja, o governo tem até dezembro deste ano para chegar ao teto de 49% da RCL em gasto com pessoal. Em seu voto, o conselheiro Valter Albano foi enfático ao dizer que a concessão do reajuste impacta, sim, na LRF. A concessão da RGA impacta no valor total de gastos com pessoal para fins de calculo da Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que representa aumento de remuneração e subsídio, afirmou. Após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) responder à consulta protocolada pelo governo do Estado e firmar o entendimento por unanimidade de que autorizar o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores públicos do Estado impacta no limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), os deputados estaduais acreditam que a proposta encaminhada pelo Estado para aprovar o pagamento dos 11,28% parcelados e com quitação prevista para 2017 seja aprovado sem dificuldades. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), acredita que a realidade econômica do Estado foi apresentada publicamente nos últimos meses e é necessário o convencimento pelos servidores públicos do quadro delicado da situação financeira. O TCE atesta que o Estado não pode pagar e não queremos ficar na ilegalidade. Deverá ter voto contra, mas a tendência é ser aprovado. O pagamento de 11,28% será feito em sua totalidade, mas dentro da realidade financeira. Esse é o melhor caminho, disse. O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Wilson Santos (PSDB), disse que respeita a greve dos servidores públicos, mas é necessário que os mesmos reconheçam o grau de dificuldade financeira dos estados em nível nacional e, na contramão de muitos, Mato Grosso se dispõe a pagar a integralidade dos 11,28% sem realizar loucuras financeiras. Estados com arrecadação maior como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul estão sem condição financeira alguma. Em Mato Grosso estamos apertando os cintos e mesmo assim faremos a reposição inflacionária aos servidores. A mensagem será aprovada e esperamos que a greve seja encerrada. Esse entendimento do TCE deve levar a uma reflexão dos servidores públicos. Nenhum lado pode ser radical e intransigente, reforça. O deputado estadual Mauro Savi (PSB) também saiu em defesa do Estado e reconhece a necessidade de os servidores públicos compreenderem as limitações financeiras do Estado neste momento. Houve transparência do governo, que pode ter demorado a responder a algumas questões, mas esclareceu com dados consistentes e firmes. Esse entendimento do TCE exaure esse impasse. É hora de aceitar o que está sendo proposto diante deste sucateamento nacional das finanças estaduais e seguirmos adiante, disse. O deputado estadual Oscar Bezerra (PSB) também comentou rapidamente o entendimento do TCE e acredita que a proposta da RGA que chegará ao Legislativo possa ser aprovada sem traumas. É uma questão que considero esgotada. O entendimento do TCE deixa claro que não podemos avançar mais. Acredito que os servidores públicos que tanto respeito terão consciência disso.