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Primeira Página
Quarta-feira, 24 de Março de 2010, 21h:50

ALA BRIZOLISTA

Taques deixa MPF para disputar Senado

Procurador da República oficializou ontem o pedido de exoneração e hoje ultima detalhes para ingressar no PDT

SONIA FIORI/ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Depois de atuar por 15 anos no Ministério Público Federal (MPF), o procurador Pedro Taques pediu exoneração do cargo para entrar na vida política, concorrendo a uma vaga no Senado Federal na eleição que acontece em outubro deste ano. Ele entregou o pedido de exoneração ontem ao procurador-geral de República, Roberto Gurgel. O ato de filiação ao PDT está marcado para segunda-feira. Apesar da certeza de que será candidato, Taques ainda não oficializou qual partido político que irá se filiar. Há informação de que ele ingressará no PDT. A confirmação deve acontecer hoje após uma reunião, em Brasília, entre Pedro Taques e o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, presidente nacional do PDT. Um dos indicativos de que Taques se filia à legenda é a sua confirmada presença no ato de lançamento oficial do movimento “Mato Grosso Muito Mais”, que será realizado hoje, às 19h, em Santo Antônio do Leverger. Por causa do seu histórico no Ministério Público, de combate a corrupção, outros partidos ainda tentam a filiação do procurador como nome forte na eleição. Na tarde de terça-feira, no aeroporto Marechal Rondon, quando se preparava para embarcar em um voo para Brasília, aonde entregaria o pedido de exoneração ao procurador-geral, Taques começou a se sentir mal e foi encaminhado ao hospital Jardim Cuiabá. Ele teve uma crise renal e precisou ser operado para tirar pedras dos rins. Diante disso, o pedido de exoneração foi encaminhado por fax a Roberto Gurgel. Apesar da complicação, Taques passa bem. Em entrevista concedida anteriormente ao Diário, Taques afirmou que o programa do PDT o atrai muito, especialmente pela prioridade à educação, já que ele é professor de Direito há 20 anos. “Gosto do PDT em razão da sua história, temos Leonel Brizola, Darci Ribeiro, Cristóvão Buarque, pessoas que trabalharam pela Educação. E eu objetivamente vejo que não há como mudarmos nossa realidade sem trabalhar a questão educacional”, disse o procurador na entrevista. Antes de entrar para o MPF, Taques trabalhou durante três anos como promotor de Justiça em São Paulo. Já como procurador, ele atuou um ano em Rondônia, três meses no Acre, nove anos em Mato Grosso e quatro em São Paulo. Enquanto membro do MPF no Estado, ele foi um dos principais articuladores da Operação Arca de Noé, que levou a prisão do bicheiro João Arcanjo Ribeiro, um dos chefes do crime organizado em Mato Grosso. A operação, contudo, não foi o único ponto alto de sua carreira. Taques sempre esteve à frente de outros grandes casos, como a investigação de fraudes na extinta Sudam e outras grandes operações voltadas a defesa do meio ambiente. Taques abandona um trabalho estável, com um salário invejável para a maioria dos cidadãos brasileiros, R$ 14,8 mil, para ser candidato, portanto com risco de não ser eleitor, como qualquer outro que se arrisque. O procurador entende que pode ser útil para o Estado de Mato Grosso, e por isso vai arriscar. Caso seu projeto político não dê certo, ele não pode retornar ao MPF, já que o caso é de exoneração. Diferentes dos outros candidatos, que devem se filiar a uma legenda no mínimo um ano antes das eleições, o procurador podem fazer a filiação com até um seis meses de antecedência.

Edição EDIÇÃO 16967




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