Primeira Página
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014, 21h:12
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REALIDADE
Silval questiona propostas eleitorais
Faltando pouco mais de três meses para concluir seu mandato, o governador diz que a realidade da gestão é mais difícil do que imaginam
THIAGO ANDRADE
Da Reportagem
Prestes a deixar o comando do Executivo estadual, o governador Silval Barbosa (PMDB) afirma que algumas propostas de governo de alguns candidatos são inexequíveis diante do orçamento do governo do Estado. Silval cita como exemplo a proposta dos três principais candidatos de dobrar o número de policiais militares nos próximos quatro anos. O peemedebista afirma que o Estado está em seu limite em gasto de folha de pagamento. Lembra que no ano passado enfrentou grandes greves, como a da Educação, porque não tinha como chegar ao valor que os educadores pediam em aumento. Afirma que, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), tem a obrigação de entregar o Estado no azul, o que não ocorreria se desse o aumento cobrado pelos servidores do Estado. Destaca que busca austeridade nas contas públicas e que tem evitado novos investimentos para que entregue o comando do Paiaguás com dinheiro em caixa. Para ele, executar as promessas de campanha exigiria muito mais recursos em caixa. O peemedebista conta que quando se senta na cadeira, e se conhece, de fato, a realidade do Estado, o gestor consegue perceber que nem tudo é possível de ser feito. Lembra que a Lei Kandir tira mais de R$ 2 bilhões do Estado, dinheiro que poderia ser usado para melhoria em diversos setores. Destaca ainda que o governo federal atrasa o pagamento do fundo de compensação da Lei. Conta que o dinheiro de compensação que deveria ser pago em 2013 só foi quitado pela União no início deste ano, e que ainda é irrisório perto do que deixa de ser arrecadado. Outra promessa de campanha, esta encampada por Pedro Taques (PDT) e Janete Riva (PSD), é a construção de um novo hospital estadual em Cuiabá. Silval não fala que é impossível de fazer. No entanto, lembra que a construção do novo hospital da UFMT é algo pensado há dez anos e que somente em 2011 começou a sair do papel e que, mesmo durante estes três anos em construção, não será inaugurado este ano. Silval diz que independente de quem for eleito governador do Estado, logo que sair o resultado das eleições, vai buscar contato com o seu sucessor para que conheça melhor a máquina pública do Estado. O governador conversou com a imprensa em tom de despedida, o peemedebista fez um balanço das ações de seu governo, que para ele vai ficar marcado na história por conta do grande número de obras públicas. O peemedebista destaca que uma das ações mais importantes que vai ficar da sua gestão para o próximo governador foi a reestruturação da dívida do Estado, que permitiu ao governo buscar novos recursos junto à União. O chefe do Executivo conta que sem a reestruturação o governo pagaria neste ano R$ 1,3 bilhão da dívida pública. Com a reestruturação feita no início de sua gestão foi possível diminuir o pagamento da dívida quase pela metade. Afirma que neste ano o pagamento vai ser de R$ 700 milhões.