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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011, 21h:20

CRISE NA SAÚDE

Riva se distancia de Henry e critica OSSs

Gestão implantada pelo então correligionário na Saúde mato-grossense está sendo questionada pelo presidente da Assembleia Legislativa

LAURA NABUCO
Especial para o Diário
Desde a consolidação do PSD o clima entre o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva, e o deputado federal Pedro Henry, cacique do PP em Mato Grosso, não é mais o mesmo. O social-democrata não tem economizado críticas ao setor da Saúde no Estado, comandado pelo progressista. O principal alvo de Riva tem sido a proposta de implantação de Organizações Sociais de Saúde (OSSs) na administração de hospitais. Riva defendeu a aprovação de um requerimento solicitando informações sobre os três primeiros meses de atuação das OSSs em algumas unidades hospitalares do Estado. A proposta surgiu após denúncias de que instituições administradas pelo novo sistema estariam gastando três vezes mais do que quando a gestão era pública. A implantação de OSSs em Mato Grosso foi idealizada por Henry, que até a semana passada era secretário de Estado de Saúde. O afastamento dele do cargo é temporário. Ele retomou o mandato de deputado federal há uma semana para discutir emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União (OGU). A expectativa é de que até a próxima semana o progressista retorne ao staff do governo Silval Barbosa (PMDB). Além disso, os hospitais comandados por OSS, como o Metropolitano, em Várzea Grande, estariam fazendo uma seleção dos pacientes, que são atendidos apenas mediantes encaminhamento de outras unidades. Em março deste ano, um requerimento semelhante foi apresentado pelo deputado Ademir Brunetto (PT). Ele solicitava uma auditoria na Secretaria de Estado de Saúde (SES), então comandada por Henry. O pedido foi feito logo após o diretório do PT de Cuiabá se manifestar contrário à implantação das OSS no Estado, mas foi rejeitado por maioria do plenário. Na época, Brunetto atribui a rejeição a uma represália ao partido, visto que uma auditoria semelhante, de autoria de Riva, havia sido aprovada na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), sob administração do PT. Neste período, Riva argumentou que o progressista acabara de assumir a Saúde. A indisposição entre Riva e Henry ficou mais explicita após o também deputado federal Eliene Lima, recém-filiado ao PSD, decidir voltar ao Congresso Nacional sob a alegação de debater emendas, retirando a vaga ocupada do então deputado Neri Geller (PP). Geller, segundo suplente, de última hora recuou da filiação do PSD e continuou no antigo partido. Eliene, que integra o grupo de Riva, retornou à Câmara por entender que as prioridades de emendas deveriam contemplar sua base eleitoral e o progressista poderia ter outras sugestões. Logo em seguida, Henry também optou em retomar o mandato, desabrigando do Congresso Nacional o deputado Roberto Dorner, que deixou o PP para ingressar no PSD. Desta forma, nenhuma das siglas ficaria na desvantagem em relação ao resultado das urnas do pleito passado. O PSD foi o responsável por esvaziar o PP em Mato Grosso, que perdeu quatro deputados estaduais eleitos em 2010.

Edição EDIÇÃO 16962




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