A Justiça ouve hoje mais seis testemunhas de defesa e acusação do processo que envolve o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro e a emissão de cheques da Assembleia Legislativa. Iniciadas no ano passado, as audiências de instrução foram retomadas ontem, quando sete pessoas prestaram depoimento. A exemplo de 2012 - quando Arcanjo foi autorizado a acompanhar as sessões por ser réu - a presença do ex-bicheiro era esperada. O desmembramento do processo, requerido pela própria defesa, contudo, evitou que ele visitasse Cuiabá novamente. O argumento usado é de que este caso não constava no tratado de extradição do Uruguai, onde o Arcanjo foi preso em abril de 2003. À época, Arcanjo foi acusado de formação de quadrilha, sonegação fiscal, descaminho e lavagem de dinheiro. A Justiça uruguaia, contudo, não aceitou a última acusação porque o crime não era previsto na legislação do país. Diante disto, a defesa do ex-bicheiro vem questionando todos os processos referentes a crimes não citados no tratado. O advogado Nabor Bulhões, especialista em direito internacional, chegou a ser contratado por Arcanjo para prestar consultoria nestes casos. O jurista ficou conhecido depois de representar o governo italiano no caso de extradição do ex-ativista Cesare Battisti. No processo que tramita atualmente, o Ministério Público Estadual (MPE) acusa Arcanjo de estar envolvido num esquema de emissão de cheques que desviava dinheiro da AL. Além dele, o deputado estadual José Riva, atual presidente do Legislativo, e o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo, são citados. Com o esquema, segundo o MPE, cheques eram emitidos pela AL para pagamento de supostos serviços de Buffet, mas a suspeita é que o dinheiro era usado em campanhas eleitorais. Entre as empresas onde os cheques eram descontados está a factoring que pertencia a Arcanjo. (LN)