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Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2009, 21h:34

Ralf diz ser heterossexual e alega extorsão

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
Quatro vereadores e até um ex-vereador ‘prestaram solidariedade’ ao vereador Ralf Leite (PRTB), na delegacia do Parque do Lago, em Várzea Grande, onde o parlamentar foi preso acusado de praticar sexo em plena via pública com um travesti de apenas 17 anos. Também pesam sobre Leite práticas dos crimes de desacato à autoridade e falsidade ideológica. Ele apresentou identificação de militar, mas ele está afastado de suas atividades para exercer o cargo de parlamentar. Estiveram no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Parque do Lago os vereadores Paulo Borges Junior (PSDB), líder do prefeito na Câmara, o presidente e o primeiro-secretário da Mesa Diretora, Deucimar Silva (PP,) e Clovito Huguiney (PTB), respectivamente, e o seu colega de partido, vereador Néviton Fagundes (PRTB). O ex-vereador Permínio Pinto (PSDB) também passou pela unidade policial. O parlamentar que mais se solidarizou com Ralf, que é segundo vice-presidente da Mesa Diretora, foi Clovito. Ele defendeu o colega e afirmou que o caso não representa quebra de decoro parlamentar. “Esse negócio aí não tem nada a ver com Câmara Municipal”, disse o petebista. O clima no Cisc Parque do Lago foi de tensão durante toda a manhã. Poucos minutos antes de deixar a unidade policial, a Polícia Militar chegou a anunciar que Ralf poderia ser levado para a Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar para abertura de sindicância administrativa por prática de crime militar. No entanto, as informações apuradas na delegacia dão conta de que Ralf, que era soldado do Corpo de Bombeiros, conseguiu provar que foi exonerado do cargo para concorrer ao cargo de vereador, já que ainda não tinha estabilidade para pedir licença. Em meio a confusão, até o assessor jurídico da Câmara Municipal, Lauro da Mata, esteve na delegacia ‘auxiliando’ o parlamentar. Por volta de meio-dia e meia, Ralf Leite deixou o complexo do Parque do Lago se defendendo das acusações e alegando inocência. Ele afirmou que foi vítima de extorsão. “Tentaram me cobrar R$ 600 pra me liberar, mas eu não sou homem de dar R$ 600 pra Polícia Militar”, afirmou Ralf ao sair da delegacia, acompanhado de vários advogados. Além disso, sobre o episódio envolvendo o travesti, Ralf disse que foi vítima de armação política. “Eu sou 100% heteressexual. Toda a ‘mulherada’ de Cuiabá sabe disso”, protestou. A assessoria do vereador chegou a afirmar que ele se pronunciaria, em entrevista coletiva, ainda ontem, às 17h. Mas o pronunciamento foi cancelado, segundo a assessoria, a pedido de advogados. A reportagem tentou entrar em contato por várias vezes com o vereador Deucimar Silva (PP), presidente da Câmara de Cuiabá. Mas o progressista não atendeu ao telefone celular e seus assessores afirmaram que ele estava em reunião discutindo o caso de Ralf Leite. Eles não souberam informar se o presidente se pronunciaria.

Edição EDIÇÃO 16967




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