Vereador por Cuiabá é acusado de compra de voto, pelo Ministério Público Eleitoral, e denunciado pela Justiça Eleitoral
RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
O vereador Ralf Leite (PRTB) prestará depoimento hoje às 11h na sindicância instaurada pela Polícia Militar que busca apurar as denúncias de tentativa de extorsão supostamente sofridas após ser preso no dia 6 de fevereiro. Naquela ocasião, o parlamentar foi flagrado recebendo favores sexuais de um travesti menor de idade em plena via pública. Também hoje, às 14h, Ralf Leite deverá comparecer à sede da 38ª Zona Eleitoral para a primeira audiência de instrução do processo referente à prática de compra de votos. Logo após ser libertado, Ralf Leite denunciou à imprensa que teria sofrido uma tentativa de extorsão (no valor de R$ 600) por parte dos soldados que o abordaram e detiveram. Já os policiais militares Uanderlei Benedito da Costa e Fábio Gomes de Oliveira informaram à Comissão de Ética da Câmara Municipal que o parlamentar ofereceu dinheiro para se livrar da prisão em flagrante. Responsável pelo comando dos trabalhos, o tenente-coronel Wilson Batista afirma que o resultado da investigação deverá ser apurado na próxima semana. "Estamos aguardando a versão do parlamentar e vamos dar agilidade para que tenhamos uma resposta rápida deste episódio", afirma. Os trabalhos da sindicância estão sendo conduzidos desde o mês de fevereiro. Os dois PMs já prestaram esclarecimentos em uma oitiva que teve a presença de advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT). O travesti menor de idade também apresentou sua versão, sendo acompanhado por representantes do Ministério Público. Primeiramente, o comando da PM tentou enviar a intimação ao endereço apresentado por Ralf no Boletim de Ocorrência registrado no dia 6 de fevereiro, mas no local informado, no bairro Jardim Primavera, funciona a Casa de Amparo São Benedito. A intimação da PM para ouvir Ralf Leite se deu por meio de divulgação no Diário Oficial do Estado, Câmara Municipal e pela assessoria jurídica do parlamentar. O resultado da sindicância será levado à Corregedoria da Polícia Militar. Se houver parecer favorável à punição, pode implicar em afastamento do cargo ou até mesmo prisão, o processo será conduzido à 11ª Vara Especializada da Justiça Militar. COMPRA DE VOTO - A audiência acontece na sede da 38ª Zona Eleitoral sob a responsabilidade do juiz Rondon Bassil Dower Filho. O processo é resultado de uma denúncia feita pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e acatada pela Justiça Eleitoral. Ralf Leite é acusado de comprar o apoio político de um detento do Centro de Ressocialização de Cuiabá (presídio do Carumbé) em troca de dinheiro, cartões telefônicos e objetos de entretenimento. O depoimento do detento Willian Dias Silva ao MPE mostra que, além disso, o vereador usou o Hospital Militar, que tem o seu pai, o coronel da reserva Edson Leite, como um dos responsáveis pela direção. A assessoria jurídica do parlamentar informou que Ralf Leite deverá comparecer nas duas audiências para apresentar sua versão.