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Primeira Página
Quinta-feira, 22 de Abril de 2010, 21h:00

OPERAÇÃO HYGEIA

Presos pela PF deixam cargos no PMDB

Acusados de participarem de suposto esquema de desvio de recursos da Funasa, peemedebistas pedem para sair da direção do partido

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O secretário-geral do PMDB em Mato Grosso, Rafael Bello Bastos, e o tesoureiro do partido, Carlos Roberto Miranda, protocolaram pedido de afastamento da Executiva do partido ontem à tarde. Os dois foram presos preventivamente na operação Hygeia da Polícia Federal, que investiga fraudes na Funasa que podem ter causado prejuízo de até R$ 200 milhões. De acordo com as investigações, os dois são postos como os comandantes do esquema, junto com José Luis Gomes Bezerra, sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB), e Ronilton Souza Carlos, presidente da Oscip Creatio. O vice-presidente do PMDB, Nico Baracat, disse que os dois tomaram a decisão de espontânea vontade para se dedicar ao processo de defesa das acusações. Entretanto, para Baracat, essa “foi a decisão mais decente a ser tomada por eles”, já que assim evitam expor o nome do partido. A operação Hygeia, assim que deflagrada, colocou em evidencia o partido, já que três pessoas presas tinham ligação direta com o presidente da legenda no Estado, o deputado estadual Carlos Bezerra. Pelo inquérito, a Funasa é tida como alvo de disputa política entre PT e PMDB, que no comando do órgão poderiam direcionar contratos e licitações, fazendo desvio de dinheiro público. Depoimento do servidor Ídio Nemésio de Barros Neto, também preso na operação, afirma que Carlos Bezerra é quem faz as indicações para a presidência do órgão. Carlos Miranda figura como representante da empresa Carlos Gomes Bezerra – Laticínio Campo Verde e CAGB Agropecuária S/A, tendo sido indiciado por desvios de recursos da Sudam relacionados a essas empresas. Apesar de não possuir qualquer vinculo na Funasa, assim como José Luis Gomes Bezerra, demonstra ter profundo conhecimento do orçamento do órgão, interferindo na gestão. Rafael Bello Bastos também não ostenta qualquer cargo ou função comissionada na Funasa, mas também mantém constantes diálogos com o também indiciado pelo esquema, Marco Antônio Stangherlin, então coordenador-geral da Funasa no Estado. Trata de interesses e recursos orçamentários do órgão, além de fazer constantes visitas ao local para tratar de interesses que evitava falar ao telefone. O procurador Mário Lúcio Avelar, em parecer, escreveu que “esse esquema somente foi possível porque a aliança estabelecida entre empresários, lobistas e servidores públicos teve o respaldo de agentes políticos que assumiram o controle da Funasa e de setores da administração dos municípios envolvidos. Assim, toda vez que os seus agentes políticos demandavam a percussão de recursos o esquema criminoso era acionado para abater e escoar o dinheiro público mediante contratações superfaturadas ou mesmo a inexecução do objeto contratual”, escreveu o procurador.

Edição EDIÇÃO 16963




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