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Sexta-feira, 08 de Outubro de 2010, 19h:32

‘FAMILIOCRACIA’

Políticos buscam espólio de parentes

A prática de colocar familiares para disputar mandatos eletivos é cada vez mais recorrente em Mato Grosso, mas nem sempre obtém êxito

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Em todo o Brasil é comum ver candidatos que exploram a imagem e legado político de membros da família que já ocuparam mandados e foram, ou ainda são, lideranças políticas. Em Mato Grosso, não é diferente a prática da chamada “familiocracia”. Isso é corriqueiro. Nesta eleição, nem todos que usaram o espólio familiar conseguiram sucesso nas urnas. O caso mais exemplar é Thelma de Oliveira, que mesmo explorando o nome do ex-governador Dante de Oliveira não obteve êxito. Já os casos mais retumbantes de sucesso foram Júlio Campos (DEM), que se elegeu deputado federal, Tetê Bezerra como deputada estadual e o caso do deputado Dilcel Dal Bosco, que não foi candidato, mas jogou o irmão, Dilmar Dal Bosco, no lugar. O sobrenome mais exemplar em Mato Grosso para a chamada “familiocracia” é o da família Campos, que há mais de 50 anos se perpetua no poder. Este ano, o ex-governador Júlio Campos foi eleito deputado federal. Os Campos já tiveram representes em prefeitura, governo e Congresso Nacional. Não é por acaso que tantas ruas, avenidas e escolas levam o nome da família. Em Várzea Grande, dos últimos 14 prefeitos, seis são da família Campos. Porém, eles não pararam no Executivo municipal, Júlio Campos (1983-1986) e Jayme Campos (1991-1995) foram governadores de Mato Grosso. Hoje Jayme é senador, com mandato até janeiro de 2015. O espólio dos Campos chega até a terceira geração, com Campos Neto, que hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele foi vereador por Várzea Grande e chegou à Assembleia Legislativa até ganhar o cargo de conselheiro, na vaga do seu próprio pai, Ary Leite de Campos. Ex-deputado estadual, Ary ocupava o cargo de conselheiro e, quando teve que se aposentar, usou de sua influência para dar a vaga ao filho. Teté Bezerra (PMDB), mulher do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB), ex-governador do Estado (1987-1990), é outro caso de êxito familiar. Por causa do marido, em 1998 ela conseguiu chegar à Câmara dos Deputados. Neste pleito, foi eleita deputada federal. Nem o ex-governador Blairo Maggi (PR), eleito senador com mais de um milhão de votos, escapa do grupo. Eleito em 2002 com o argumento de ser um político novo, um grande empresário com perfil de administrador eficiente, Maggi conseguiu grande aprovação até o final do mandato. Porém, também emplaca familiares em cargos eletivos. O ex-governador ajudou eleger o primo João César Borges Maggi duas vezes prefeito de Sapezal, em 2004 e 2008. O deputado Dilceu dal Bosco também é um exemplo de como políticos têm mais oportunidade de emplacar um consanguíneo. Para ser candidato a vice-governador de Wilson Santos (PSDB), condicionou no partido que seu irmão, Dilmar, deveria ser candidato a estadual. O irmão foi eleito com 22.284 votos.

Edição EDIÇÃO 16962




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