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Primeira Página
Quinta-feira, 09 de Outubro de 2014, 20h:00

CASO DO AVIÃO

Pilotos continuam desaparecidos

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Familiares e amigos dos pilotos desaparecidos desde o roubo do avião modelo King Air, prefixo ATY, no dia 20 de setembro, realizaram ontem pela manhã uma manifestação, em frente ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, para cobrar maior empenho do governo do Estado nas investigações, que estão concentradas na Bolívia. Os pilotos Evandro Rodrigues Abreu e Rodrigo Frais Agnelli foram sequestrados junto com a aeronave de propriedade da família do deputado estadual José Riva (PSD), na pista de pouso do município de Pontes e Lacerda (440 quilômetros, a oeste de Cuiabá), quando era realizada a campanha política de Janete Riva ao governo do Estado. O parlamentar também participou do protesto. Até ontem pela manhã não havia novidades sobre o paradeiro dos pilotos. Esposa de Evandro, Márcia Rodrigues Abreu afirmou que os últimos dias têm sido difíceis para toda a família. “A gente pede que as autoridades façam alguma coisa porque essa é uma situação que ninguém imagina passar e só quem passa sabe dizer como é. Esses dias têm sido angustiantes”, afirmou. Irmão de Evandro, Alvino Cássio Rodrigues disse que apesar de todos estarem apavorados, a família acredita que os pilotos estão vivos. “O que queremos é que as autoridades, o governador (Silval Barbosa) e a Polícia Federal intervenham junto ao país vizinho. Já são 19 dias que meu irmão e o Rodrigo estão desaparecidos e, até então, parece que pouca coisa tem sido feita. O caso está caindo no esquecimento e ninguém fala mais nada”, lamentou. Alvino Rodrigues também fez um apelo à população. “Se alguém tiver alguma informação por mais vaga que seja, que repasse para a polícia”, solicitou. Por ser uma aeronave maior e mais complexa de ser pilotada, Rodrigues acredita que os Evandro e Rodrigo estejam sendo obrigados a pilotar o avião e a treinar integrantes da quadrilha. Comandante há 35 anos, Eduardo José de Oliveira criticou a falta de rastreamento aéreo na fronteira do Brasil. “A gente se sente inseguro. Tanto é, que quando vamos para essa região é grande a nossa preocupação em ficar em hotel a ponto de dizermos que não somos pilotos. Até para ir para o avião, a gente toma o máximo de cuidado”, contou. Segundo Oliveira, a faixa área brasileira sem controle pelo governo brasileiro é extensa. “Essa área sai de Corumbá (MS), passa por municípios (mato-grossenses) como Cáceres, Vila Bela, Pontes e Lacerda e Comodoro. Só em Mato Grosso são uns mil quilômetros sem rastreamento, mas ainda tem Rondônia. No todo, são no mínimo 1,7 mil quilômetro de extensão, do Rio Branco até o Mato Grosso Sul, que não tem nada”, comentou. Segundo ele, a fronteira do Brasil com a Bolívia sempre foi motivo de preocupação. “Não tem torre, não tem comunicação, não tem nada. E num caso de sequestro, o sequestrador não vai deixar o piloto ligar o transpônder”, reforçou.

Edição EDIÇÃO 16967




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