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Terça-feira, 28 de Julho de 2009, 21h:00

Papéis envolviam articulação e coação, apontam depoimentos

Indiciados por cinco diferentes crimes, Hélio Hudson de Oliveira Ramos, ex-secretário-geral da Câmara de Cuiabá na gestão de Lutero Ponce, e Marcos Davi de Andrade, dono de um escritório de consultoria em Cuiabá, chamam a atenção nas mais de mil páginas do inquérito produzido pela Delegacia Fazendária. Em geral, o que se destaca é o papel tanto de articulação quanto de coação a empresários no emaranhado do esquema de desvio de dinheiro público. Num dos depoimentos colhidos por delegados fazendários, um microempresário conta que em fevereiro de 2008 foi procurado por Hélio Hudson, que o convidou a ir até o escritório de Marcos Davi para que conversassem sobre uma licitação da Câmara em curso. Lá, a dupla teria pedido a ele que apenas fornecesse algumas notas fiscais. Como Clailton Rocha Soares, designer gráfico autônomo, não tinha firma registrada, ele então passou os dados pessoais ao contador e advogado Marcos Davi para que abrisse a empresa, a CR Soares ME. Em troca, o profissional não lhe cobraria os honorários pelo serviço. Dois meses depois, em maio do ano passado, conforme o depoimento, Clailton recebeu alguns papéis das mãos da dupla. Após assiná-los, foi informado de que havia acabado de vencer uma licitação no valor de R$ 75.365,00, mas que o dinheiro seria repassado a quem de fato prestaria o serviço de fotocópias à Câmara. Cerca de um ano depois, no dia 22 de maio de 2009, Clailton foi abordado na porta de casa por um senhor que dirigia uma caminhonete e que lhe disse a seguinte frase: “Toma cuidado com o que você vai falar”. Segundo o microempresário, dias depois da ameaça ele foi procurado mais uma vez por Hélio Hudson, que teria informado que ele poderia ser procurado pela polícia para prestar informações sobre a licitação. Conforme Clailton, embora a prestação de serviço nunca tenha acontecido, o então secretário geral da Câmara exigiu que ele dissesse aos delegados que foi o fornecedor das fotocópias. Na sequência, no começo de junho, o microempresário recebeu um telefonema, onde uma voz lhe alertava que sabia onde ele estava, onde sua sobrinha estudava e que sua mãe ficava o dia inteiro em casa. Nervoso, Clailton teria procurado Hélio Hudson e dele ouvido a seguinte resposta: “Isso é coisa dos nossos inimigos. Não se preocupe e sustente em depoimento que você tirou as cópias”. Em outro contato, Hélio Hudson teria o pressionado definitivamente. “Você sustenta na delegacia que de fato tirou as cópias porque senão as coisas vão ficar feias pra você”, teria dito, conforme consta nas declarações do microempresário. Na gama de depoimentos, há empresários que atestam que foram Hélio Hudson e Marcos Davi quem os acompanharam até agências bancárias para sacar o dinheiro depositado pela Câmara às empresas vencedoras das licitações e assim garantir o “retorno” do dinheiro, supostamente a mando do ex-presidente Lutero Ponce. O escritório de Marcos Davi também figura nas apurações como peça-chave no esquema investigado pela Delegacia Fazendária. Lá trabalham Michel Padilha da Silva e Jones Teixeira Barbosa, contratados como office-boys, mas que acabaram sendo usados como “laranjas” na abertura de empresas que se tornaram vencedoras de licitações fraudulentas, conforme as investigações. Os dois também foram indiciados pela polícia. (JS)

Edição EDIÇÃO 16964




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