Primeira Página
Quinta-feira, 12 de Maio de 2011, 22h:25
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TANGARÁ DA SERRA
MPE já havia denunciado Ladeia
FERNANDO DUARTE
Da Reportagem
O prefeito de Tangará da Serra, Júlio César Ladeia (PR), recebeu várias denúncias oriundas do Ministério Público Estadual (MPE) relacionadas a desvio, nepotismo e improbidade administrativa. Em sua administração, a oscip Idheas, responsável pela saúde no município, causou fraudes que alcançaram R$ 4,2 milhões. Por causa disso, o MPE ingressou com uma ação civil pública contra 24 pessoas. Em setembro de 2008, o então promotor Reinaldo Rodrigues de Oliveira Filho notificou o prefeito por nomear parentes para ocupar cargos públicos, inclusive sua mulher para a pasta de Assistência Social. Além disso, foi acusado de permitir que vereador da base aliada também fizesse essa manobra. A prática do nepotismo na prefeitura municipal se estendia à nomeação em comissão, da esposa do secretário municipal de Turismo, João Batista Neri de Almeida, conhecido popularmente por João Negão, também destacou a denúncia. Em relação à oscip, alguns dos acusados estavam envolvidos na operação Hygeia, deflagrada pela Polícia Federal, que apresentou desvio de recurso para do Programa Saúde da Família. Com a contratação do Idheas, o critério de contratação ou demissão de pessoal para trabalhar na Saúde Pública Municipal passou a depender da simpatia ou antipatia, da indicação ou do pedido, de quem defendia ou não o Idheas, situação que passou a ditar as deliberações do Conselho Municipal de Saúde, fazendo com que este importante órgão da comunidade servisse igualmente para acobertar as ilicitudes e imoralidades perpetradas pelos requeridos. Com a retirada da oscip, a prefeitura foi obrigada a realizar um concurso público para suprir a deficiência do atendimento. Além disso, somaram à acusação licitações viciadas que os dirigentes da instituição participavam e direcionam para que eles mesmos assumissem os serviços públicos de saúde. A instituição, segundo denúncia do MPE, tinha superávit de 55% em comparação aos encargos incorridos quando a prefeitura administrava os servidores (de saúde), o que por si só comprova o caráter antieconômico da contratação do Idheas. O presidente da Câmara de Tangará da Serra, Miguel Romanhuk (DEM), afirmou que na próxima segunda-feira a Casa irá decidir pelo afastamento ou não do prefeito. Ele destacou que existe a possibilidade de ocorrerem manifestações da população do dia sessão. A assessoria de comunicação da prefeitura informou novamente que Ladeia estava em reunião para discutir os preparativos para o aniversário do município, que acontece hoje. A assessora disse que ele entraria em contato, mas, novamente, até o fechamento da edição, não ele se manifestou.