Com apenas cinco dias de retorno aos trabalhos na Assembléia Legislativa (AL), o deputado estadual João Malheiros (PR) teve aprovado em sessão na noite de ontem requerimento de licença que contempla diretamente o suplente Roberto França (sem partido). Na Casa, ainda não há consenso entre grupo de parlamentares para beneficiar outro suplente que há pouco teve de deixar a AL, Pedro Satélite (PPS). A garantia da estada dos dois suplentes por mais tempo no Legislativo é o centro de acordo selado ainda em 2006, entre os candidatos a deputado estadual pela coligação Mato Grosso Unido e Forte, formada pelo DEM e PPS. Automaticamente, a atual bancada do PR está amarrada ao compromisso: os cinco parlamentares do partido eram então filiados ao PPS, incluindo João Malheiros. A sistemática do rodízio foi discutida ontem entre os 10 parlamentares que integram os três partidos, em reunião na presidência da Assembléia. Não houve consenso sobre quem cederá a cadeira num segundo momento a França e desde já em favor de Pedro Satélite. Sem saída, o ex-parlamentar terá que se lançar num corpo-a-corpo junto a titulares para assegurar o retorno à Assembléia, o que frustra a expectativa original de reassumir as funções ainda ontem. No discurso oficial de integrantes da reunião, a explicação é de que cada deputado irá consultar suas respectivas bases sobre um possível afastamento do Legislativo. Num compromisso em particular selado entre João Malheiros e Roberto França, o suplente conquistou o prolongamento da estada no Parlamento, ao menos por enquanto. Malheiros explica que o requerimento abarca 120 dias de afastamento, mas a intenção já sinalizada a França é de retornar em 30 dias. O assunto já teria sido alinhavado em conversa mantida no início do ano. Malheiros relata que aproveitará para fazer um check-up e descansar após o período de cerca de um ano à frente da Casa Civil do governo Blairo Maggi (PR). Ele saiu do cargo no dia 10, com a posse do major da Polícia Militar Eumar Roberto Novacki ao cargo. Quando ainda exercia o cargo no Executivo, a vaga de Malheiros era ocupada até dezembro do ano passado pelo primeiro suplente da coligação, Wagner Ramos (PR). Ele ganhou a condição de titular com a saída do veterano Humberto Bosaipo rumo ao Tribunal de Contas (TCE). Penso ter cumprido a minha parte, tanto em relação a Wagner Ramos quanto agora para com o França. É verdade que foi uma honra estar no governo, assim como é verdade que fiz a minha parte até mais do que devia, declara Malheiros, num claro sinal de que é preciso costurar o consenso entre os demais deputados da ala para o repasse do ônus da cessão da vaga no rodízio parlamentar. Uma nova reunião deverá ocorrer na próxima semana para debater o assunto.