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Primeira Página
Sábado, 17 de Maio de 2008, 16h:38

ENTREVISTA

Maksuês não crê em envolvimento de Jayme

Pré-candidato em Várzea Grande, deputado estadual Maksuês Leite, acredita que a população sabe diferenciar o senador do irmão Júlio

SONIA FIORI
Da Reportagem
A disputa a prefeitura de Várzea Grande nas eleições deste ano será marcada por discursos que tentam medir o grau de capacidade de cada candidato de administrar uma cidade carente de investimentos. Líder nas pesquisas de intenções de votos na cidade denominada de Industrial, o pré-candidato do PP, deputado estadual Maksuês Leite vem angariando aliados ao propor uma gestão moderna, inovadora e eficiente. O novo projeto começa a ser construído com forças políticas que se rebelaram contra o atual prefeito Murilo Domingos (PR), como é o caso do PMDB e PT. Na contramão do projeto do PP, está Júlio Campos – líder de chapa do Democratas e dono de um discurso que dá ênfase a importância da experiência política e administrativa do próximo prefeito. O clima de pré-campanha entre Júlio e Maksuês deu na última semana uma demonstração do cenário que deverá nortear o período eleitoral. Maksuês atribui o fim de sua apresentação no programa Comando Geral, na TV Rondon, a uma manobra arquitetada por Júlio com o dono da emissora, Roberto Dorner. Ambos prometem processar o parlamentar pela acusação. Ciente do quadro, o deputado reitera sua versão sobre o caso. Ao responder as críticas do pré-candidato do DEM, o parlamentar ressalta os prejuízos causados ao Estado e município originados na “era” Júlio Campos. Contudo, tem um discurso positivo em relação ao senador Jayme Campos (DEM). Nesta entrevista ao Diário, Leite fala sobre seu desejo de fazer uma disputa justa, ou seja, sem a interferência política de Jayme - considerado principal líder do partido em Mato Grosso. Diário de Cuiabá - O senhor afirma que o fim da apresentação do seu programa Comando Geral é fruto de uma manobra arquitetada pelo ex-conselheiro Júlio Campos. Em algum momento pressentiu a possibilidade de atravessar essa situação? Maksuês Leite - Em nenhum momento eu esperava uma atitude dessa forma. Foi uma atitude anti-democrática, coronelesca acima de tudo e surge num jogo sujo praticado não contra o deputado Maksuês Leite mas contra o jornalista. O ato foi contra o profissional Maksuês Leite que trabalhava numa empresa, que apresentava um programa na emissora todos os dias. Nunca recebi uma notificação do Ministério Público, nunca recebi uma recomendação da própria empresa ou advertência. Ao contrário, sempre fui elogiado dentro dos quadros da TV Rondon e eis que quando chego ao meu local de trabalho sou impedido de adentrar a empresa. Isso me remete a época da ditadura militar, do regime totalitário que fiscalizava os intelectuais, perseguia jornalistas e advogados. Fiquei muito triste e lamento muito que tenha acontecido por um processo eleitoral momentâneo. Diário - O empresário Roberto Dorner diz que se o senhor continuar afirmando que ele fez um acordo com o ex-conselheiro Júlio Campos que envolveria a cifra de R$ 2 milhões irá processá-lo? Maksuês - Eu ouvi isso com muita força nos bastidores. As informações, repito, extra oficiais dão conta de que a cifra é milionária, não retiro minha afirmação. Respeito a posição do empresário Roberto Dorner. Ele é bem sucedido no campo empresarial, mas agora ele vai ter que provar para o povo de Mato Grosso se é bom de urna. Ele vai disputar a eleição em Sinop, vamos ver se é bom de voto. Ele é bom de faturamento, receita, de caixa, tem várias empresas aqui em Mato Grosso, no Brasil, gera emprego e renda mas quero saber se é bom de voto. Ele tem que ir para as urnas. Acho que antes de pensar em processar um ex-funcionário que ele colocou para fora da empresa a revelia, ele tem que mostrar para o povo de Sinop que ele está preparado para governar a cidade dele. Diário - O Júlio Campos disse que achou justa a decisão do Roberto Dorner porque o programa coloca em desvantagem outros candidatos, como ele. O senhor não acha que de fato a apresentação de programas cria uma vantagem sobre os demais adversários? Maksuês - Não tem. Se você não tiver o conteúdo e preparo você não prevalece em televisão. Quantos comunicadores foram candidatos, colocados nas proporcionais ou majoritárias e perderam as eleições. O eleitor distingue bem, ele separa um do outro. Nós temos no Brasil afora grandes radialistas, comunicadores que disputaram o Senado e perderam. Disputaram cargos para deputado estadual ou federal e perderam nas urnas. O eleitor separa essa figura do âncora, do jornalista com o político. Isso é claro na opinião pública. Acontece que o Júlio Campos, o conselheiro aposentado está em desespero porque fez de tudo em Várzea Grande para derrubar nossa candidatura. A questão do programa não tem problema, vamos continuar nas ruas mas o que me magoou foi o campo profissional. Estou deputado nesse momento mas sou jornalista formado, vivo disso. A forma brutal como me tiraram da empresa é que me magoou. Mas, mais uma vez o Júlio deu um tiro no pé, mais uma vez o tiro saiu pela culatra. Diário - O senhor afirma que não ficou sabendo do envolvimento do senador Jayme Campos. Maksuês - Não, eu não posso. Eu seria leviano se citasse alguma coisa do Jayme. Em nenhum momento ele foi a Sinop, ele estava em Brasília. O Jayme pode ter todos os defeitos do mundo mas tem uma vantagem, ele é um cara que joga de frente. O senador fala o que tem que falar de frente, ele vai e se posiciona. O Jayme não pratica a política suja do irmão dele, por isso que o povo separa o Jayme do irmão Júlio. O Jayme tem palavra, tem mais respeito. O Júlio joga por baixo, sorrateiramente, é uma prática antiga que ele faz de política. Ele perdeu o governo em 1998 por isso e vai perder a prefeitura novamente por essa postura. Diário - Quando se refere à política coronelista no município, está tratando diretamente do Júlio Campos? O senador Jayme não ficaria envolvido nesse contexto por ser da mesma família e ter também toda essa tradição política no município? Maksuês - Eu costumo dizer que até os dedos das mãos são diferentes, você imagina no seio familiar. Repito, o eleitor separa o Jayme do Júlio por causa de atitudes. O Jayme compra e paga, o Júlio nem sempre. Você vê a fala do Júlio, a forma como ele se dirige ao adversário, agressivamente. Não apresenta uma proposta para a cidade de Várzea Grande, se diz experiente mas quebrou todas as empresas de comunicação dele, todas, rádio, TV e jornal, faliu, quebrou. Ele entregou o Estado que ele comandou por quatro anos para o ex-governador Carlos Bezerra com seis meses de salário atrasado. Responde a uma montanha de processos, a vida pregressa desse homem chamado Júlio Campos vai daqui até Santarém, é maior do que a BR-163 inteira. Quer dizer, como que um homem desse quer falar de experiência, de competência. Diário - Deputado, o Júlio entende que o senhor não tem experiência nenhuma de gerenciamento. Como analisa essa crítica? Maksuês - Ele vai sempre atacar. É uma prática comum do Júlio Campos, jogo sujo, baixaria, palavrão, isso é com ele. Na verdade eu tenho um mandato de deputado estadual, esse eu considero um dos maiores concursos públicos do mundo. No meio de três milhões de habitantes tem apenas 24, quer dizer, se eu não tivesse experiência e competência eu não seria deputado. Segundo, disputei a eleição para prefeito de Várzea Grande, tenho 17 anos como comunicador, trabalhei como repórter de TV, rádio e jornal. Transformei um jornal semanário num jornal diário. Fundamos uma marca de comunicação em Várzea Grande e Cuiabá, eu tenho experiência, tenho 17 anos de vida profissional, sou formado, eu fui para uma academia estudar. Então tenho todo um preparo, tenho uma família, tenho uma solidez em Várzea Grande, sou de lá. Na verdade é um ataque sem fundamento, sem cabimento de um homem que se julga experiente mas é a experiência que atrasou salários, que perseguiu professores, que colocou a polícia militar em cima de sem-terra, que é acusado de uma série de processos graves envolvendo vidas humanas. Diário - O senador Jayme já disse várias vezes que vai “colocar o tanque de guerra” dele nas ruas, ou seja, que vai encampar a campanha do irmão. O senhor teme esse fator de migração, das pessoas que podem votar no Júlio por causa do Jayme? Maksuês – Não. Primeiro que vocês se lembram sobre o tanque de guerra, falo o seguinte: na China, em 1988, um estudante de 16 anos parou um comboio de tanques. Foi a imagem que marcou o mundo, um estudante chinês, então imagina 300 mil várzea-grandenses juntos. Não há tanque que atravesse rua, começa por aí. E segundo foi o modo dele se expressar, eu tenho certeza que o Jayme vai usar a prudência, vai ficar no Senado e deixar o irmão dele disputar comigo. Deixe eu e o Júlio no mano a mano. Ele não precisa entrar na disputa, deixa o povo decidir. Eu quero enfrentar o irmão dele, que quero ir para o mano a mano com o Júlio Campos lá em Várzea Grande, no debate, nas ruas, nas praças públicas. Não há necessidade de o Jayme entrar e se entrar paciência, vamos enfrentar. Eu não sou filho de pai assombrado, eu nasci para lutar e sou um homem corajoso acima de tudo. Diário - Como estão os entendimentos para a formação das alianças? Maksuês - Nós temos hoje confirmados o meu partido PP, integrado a base nacional, regional e municipal, o PT, partido do presidente Lula, o PMDB que faz parte da base aliada, o PHS que estava com o DEM através do Wallace e com a retirada dele o partido veio para o nosso lado. Temos ainda apoio do PMN, que também é um partido histórico no país e temos praticamente encaminhado com o PTC, há uma pendenga jurídica sendo resolvida, mas a base toda da sigla nos apóia. Diário - O PTB analisa ainda o indicativo de apoio ao DEM. O PP pensa em buscar apoio da legenda? Maksuês - Sem dúvida, o PTB é um partido histórico, formado por lideranças importantes de Várzea Grande. Nós teremos um conselho político na nossa campanha e todos esses partidos vão indicar um nome para a vice e o conselho vai escolher. Então o PTB pode vir conosco e inclusive na condição de indicar dentro do conselho um vice. O PTB tem como bandeira, como marco e esteio partidário o trabalhismo, a democracia. Então faço um apelo aos companheiros do PTB, realmente revejam a posição, venham conosco e vamos derrotar esse coronel na política de Várzea Grande, que insiste em voltar ao poder. Diário - Qual o principal ponto de sua campanha? É a proposta de renovação política? Maksuês - A nossa palavra de ordem é mudança de verdade, em todo sentido, conceitual programática. Sofremos as mazelas sociais, temos 50 mil excluídos e temos uma dupla face. Uma boa face econômica porém uma face social pobre. Esse é o desafio do próximo gestor, distribuir a riqueza em Várzea Grande. Uma cidade administrada pelo mesmo grupo há quase cinco décadas, meio século e não temos um hospital de grande porte, não temos um parque ambiental para caminhada, não temos um shopping center, não temos um cinema nem um estádio de futebol. Isso é crime contra os várzea-grandenses, é um desrespeito com quem mora naquela cidade. Temos que instituir a palavra eficiência na gestão, com pregão eletrônico, concurso público, valorização do servidor público municipal, fusão de secretarias para diminuir o tamanho da máquina pública. Vamos abrir a prefeitura para o empresariado, para os clubes de serviços como o Lions, Rotary, Maçonaria, movimento comunitário e esportivo, ou seja, envolver o munícipe na gestão e não criar um grupo de cinco ou seis que ficam ali se revezando no poder. Diário - O senhor acha que esse possível acordo pode ter sido firmado por conta da questão política, onde envolveria suposto apoio do DEM em Sinop para Dorner, que é pré-candidato do PDT? Maksuês - Tudo pode ser. Que houve a conversa, houve. O assunto foi misterioso. Sempre que o Roberto Dorner veio a Cuiabá ele conversou comigo, foi no meu gabinete, foi na Assembléia Legislativa, almoçamos várias vezes. Mas agora nem veio aqui, mandou um diretor me comunicar. E eu já sabia que o Júlio Campos esteve um dia antes em Sinop. Então se você pegar e fizer uma avaliação, se verificar as informações vai perceber com franqueza que houve a operação mordaça contra o Maksuês Leite. Diário - Como o senhor analisa a postura do empresário e tem como provar esse acordo que teria sido feito entre o Dorner e o Júlio Campos? Maksuês - Eu não tenho como provar isso materialmente, que houve uma venda do meu programa aos coronéis da política várzea-grandense. Porém, não há outro entendimento senão esse. Vejamos, não fui notificado pelo Ministério Público, não respondo processo judicial por crime eleitoral ou propaganda extemporânea. Nunca houve um comunicado da direção da empresa sobre linha editorial ou sobre qualquer ação minha como apresentador de TV e eis que sou surpreendido. Então é muito estranho e as coincidências são fortes. No dia anterior do fim do Comando Geral na TV Rondon, o ex-conselheiro Júlio Campos estava em Sinop com o dono da televisão que é candidato a prefeito no município. Você pega e faz uma cronologia e percebe que há uma seqüência de fatos e fatores que culminaram com a retirada de programa do ar. Repudio com veemência aqui já como deputado Estadual essa atitude. O que mais me magoou foi ter minha liberdade de trabalho cerceada e em segundo lugar não poder sequer me comunicar com os milhares de telespectadores que me assistem todos os dias.

Edição EDIÇÃO 16967




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