Primeira Página
Quarta-feira, 09 de Maio de 2012, 22h:10
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OPERAÇÃO VESPEIRO
Mais 4 são acusados de agir no desvio
Com eles, sobe para 49 os mandados de prisão decretados na investigação do rombo na Conta Única. Um deles foi localizado trabalhando como pedreiro na Bahia
RENATA NEVES
Da Reportagem
Mais quatro mandados de prisões temporárias foram decretados pela Justiça contra suspeitos de participarem do esquema de desvio de recursos da Conta Única do governo do Estado. Três foram cumpridos na manhã de ontem e o quarto investigado foi encontrado no Estado da Bahia. Com isso, sobe para 49 o número de mandados de prisão decretados durante operação Vespeiro, deflagrada pela Polícia Civil. Celina Augusta de Ceni, Francisco Antônio Cardoso e Jeverson Alves Proença foram presos por volta das 5h e encaminhados à Delegacia Fazendária (Defaz) para prestar depoimento. Segundo o delegado Rogério Modeli, os novos nomes surgiram durante análise dos pagamentos realizados por meio do sistema BBPAG e todos são ligados a Vicente Ferreira Gomes, pai do servidor terceirizado afastado da Secretaria de Estado de Fazenda, Edson Rodrigo Ferreira Gomes. Em depoimento prestado na última terça-feira (8), o servidor confessou ter acrescentado o nome de ao menos oito pessoas na lista de pagamentos e informou que ficava com 20% dos valores depositados em suas contas. No período da manhã foram ouvidos Augusta de Ceni e Francisco Antônio Cardoso. Em entrevista ao Diário, Francisco admitiu ter emprestado sua conta bancária para Vicente, com quem possuía relação de pai e filho. Eu era amigo da família e o Vicente atuou como advogado em meu divórcio. Além disso, trabalhei na campanha dele para vereador, em 1996. O laranja contou ainda que foi usuário de drogas durante dez anos e que o montante depositado em sua conta, de R$ 143 mil, segundo a polícia, foi movimentado durante o ano de 2009, quando estava em uma situação crítica, morando nas ruas ou internado em clínicas de reabilitação. Afirmou ainda que não sabia dos depósitos e não teve acesso a nenhuma parte do dinheiro. Se eu soubesse, teria usado o dinheiro para comprar droga, afinal, durante o período crítico, até cheguei a vender uma casa avaliada em R$ 60 mil por R$ 10 mil para fumar. Francisco contou ainda que seu cartão do banco ficou com Vicente durante cerca de oito meses, mas disse que o tomou de volta após sua última internação. Depois que o peguei de volta, os pagamentos foram cancelados. Celina Augusta de Ceni também afirmou ter cedido sua conta corrente para Vicente. Em depoimento, ela disse que o conhece desde a adolescência e que ele pediu para usar sua conta para receber dinheiro proveniente de créditos, precatórios e honorários trabalhistas. Embora em sua conta tenham sido movimentados R$ 400 mil, ela garante que não teve acesso a nada. O único benefício que teria recebido foi um ar condicionado. Encontrado na Bahia, Antônio Barrote está trabalhando em uma obra como pedreiro. Ele dispôs se apresentar na delegacia até o final deste mês para prestar esclarecimento, disse a delegada Cleibe Aparecida de Paula.