Primeira Página
Terça-feira, 21 de Junho de 2016, 20h:26
A
A
LUTO
Júlio Pinheiro, presidente da Câmara, morre após ficar 17 dias internado
Vereador, que assumiu a prefeitura por três vezes, morre aos 56 anos em decorrência de complicações cardíacas
Foi enterrado no final da tarde de ontem, no Cemitério da Piedade, o presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Julio Cézar Pinheiro (PTB), morto na noite de segunda-feira, aos 56 anos, em decorrência de complicações cardíacas, após ficar internado por 17 dias no Hospital Santa Rosa. Com dores no peito Júlio Pinheiro foi internado no Hospital Santa Rosa no último dia 3 de junho, após exames, constatou-se obstrução quase total da aorta, principal artéria que irriga o coração. Três dias depois foi submetido à intervenção cirúrgica, durante mais de sete horas, para substituir a aorta por uma prótese. Após a cirurgia passou por um grave quadro infeccioso, com febre. Foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu até segunda-feira. Chegou a apresentar melhora nos dias seguintes, com infecção controlada, recebendo doação de sangue. Pinheiro tinha ainda hipertensão e diabetes, agravadas pelo tabagismo. Pinheiro cumpria seu terceiro mandato no Legislativo Municipal. Em três ocasiões, na atual gestão, Júlio Pinheiro assumiu o comando da Prefeitura de Cuiabá. Ao longo do dia de ontem o corpo do vereador foi velado por centenas de pessoas na Câmara Municipal de Cuiabá. O Júlio foi um companheiro leal, um grande parceiro da nossa administração, e sua perda deixa um enorme vazio na política cuiabana e mato-grossense, disse ontem o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), após decretar luto oficial de 3 dias em Cuiabá em homenagem póstuma ao vereador Júlio Pinheiro. O secretário de Governo e Comunicação, Kleber Lima, também, rendeu suas homenagens a Júlio Pinheiro: conhecia o Júlio havia cerca de 20 anos. Mas nos últimos três anos estreitamos muito nosso relacionamento, e pude descobrir o homem, o pai de família, o amigo, além do político. Tenho certeza que só quem conhecia o Júlio de perto é que sabia de todas as suas qualidades. Estamos todos muito consternados com sua perda, ainda muito jovem e com uma carreira política ainda promissora. O ex-governador e ex-senador Jayme Campos (DEM), disse durante o velório que Pinheiro foi grande homem público. Legado que deixou foi grande, sobretudo, como dirigente partidário do PTB. Ele fez um trabalho que nós mato-grossenses vamos reconhecer. Vereador Júlio Pinheiro deixa muita saudade. Foi muito cedo, mas é a vontade de Deus e temos que respeitar", disse Campos. É de uma maneira bastante triste e inesperada. Todos nós estamos bastante tristes com o falecimento dele e, agora, vamos nos organizar para podermos dar sequência nos trabalhos que ele deixou, disse ontem o presidente em exercício da Câmara, vereador Haroldo Kuzai (SD). O vereador Domingos Sávio (SD) lamentou a morte do colega e disse estar muito triste, ao relembrar os 14 anos em que conviveu com Júlio Pinheiro na Câmara. Ele tem quatro mandatos de vereador, eu também tenho quatro mandatos. Disputamos a primeira eleição no ano 2000 juntos, disse Domingos, ao contar que Pinheiro queria se candidatar a deputado estadual. O governador Pedro Taques (PSDB) também lamentou a morte do vereador: recebi com muito pesar a notícia da morte do vereador. À família enlutada presto minhas condolências neste momento de dor, declarou Taques. HISTÓRICO Júlio Pinheiro, nasceu em 9 de maio de 1956, era natural de Rondonópolis, casado com Gisely Carolina Lacerda Pinheiro e pai de quatro filhos. Teve uma longa trajetória na vida pública, passando pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Companhia de Habitação de Mato Grosso (Cohab), Secretaria de Estado de Educação (Seduc), assessor parlamentar da Câmara e do Senado, chefe de gabinete da presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e, mais recentemente, presidiu a Agência Municipal de Habitação, durante a gestão Wilson Santos. O petebista iniciou sua vida pública como coordenador de campanha do ex-governador Dante de Oliveira e do então deputado estadual Antônio Joaquim Neto, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, grande amigo de Júlio Pinheiro. Júlio Pinheiro estava em seu terceiro mandato como vereador. Ele disputou sua primeira eleição no ano de 2000, quando concorreu ao cargo de vereador por Cuiabá pelo PSDB e conquistou a suplência com 3 mil votos. Na eleição de 2004, disputa o mesmo posto pelo PDT e é eleito por quociente partidário com 2,8 mil votos. Em 2008, Júlio conseguiu a primeira suplência pelo PTB com 3,2 mil votos. Entretanto, em agosto de 2010, Ivan Evangelista foi cassado por compra de votos e Pinheiro assumiu a vaga. Ainda naquele mandato, o petebista conquistou a presidência do Legislativo Municipal para o biênio 2011/2012. Nesse período, ele chegou a assumir a Prefeitura de Cuiabá quando Chico Galindo pediu licença do Executivo por duas semanas. Em 2012, Pinheiro foi eleito vereador pela Capital, com 3,4 mil votos. Contudo, foi o ex-vereador João Emanuel quem ficou na presidência do Legislativo, de janeiro de 2013 a abril de 2014, mês em que foi cassado após ser acusado de peculato, de participar de organização criminosa, de direcionar licitação e falsificar documentos, além de se envolver em operações em factoring para pagar despesas de campanha. Diante disso, Júlio assumiu a presidência do Parlamento pela segunda vez, ficando somente os oito meses restantes do biênio. Ele aproveitou esse período para articular uma alteração no regimento interno da Câmara, que passou a permitir a reeleição no cargo de presidente. O parlamentar se reelegeu vereador em 2014 e com a mudança, assumiu a presidência pela terceira vez. Júlio Pinheiro assumiu em três oportunidades a Prefeitura de Cuiabá. Como prefeito, assinou várias medidas impopulares, como aumento salarial de servidores comissionados, aumento da tarifa de transporte e assinou o contrato da privatização da Sanecap para a CAB Cuiabá. Era alvo de um processo judicial por ter aprovado suplementações orçamentárias para o ex-prefeito Chico Galindo sem terem acontecido sessões plenárias. Outra paixão de Júlio Pinheiro era o futebol, tendo presidido o Mixto entre 2008 e 2009. Retornou ao comando do Mixto em 2012. Em 2014 foi convidado para ser presidente de honra do clube.