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Primeira Página
Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011, 20h:56

COMPOSIÇÃO AMEAÇADA

Governo não cederá às exigências do DEM

Governador entende que se atender a pedidos do Democratas terá que oferecer mesmo tratamento aos demais partidos aliados

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O governador Silval Barbosa (PMDB) não vai aceitar as exigências que o DEM fez para assumir o comando da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar. Os democratas pediram a secretaria “de porteiras fechadas”, para que pudessem indicar ou exonerar qualquer um dos cargos comissionados. O chefe do Estado não verticalizou nenhuma das pastas do primeiro escalão. Silval não pode atender aos pedidos porque estão em desconformidade com a gestão. Na verdade, o governador acabaria dando privilégios para o grupo, já que em nenhuma outra secretaria, seja comandada por nomes técnicos ou indicações políticas, a nomeação de adjuntos e comissionados é de ordem exclusiva do secretário. Além disso, o DEM também pediu a autonomia financeira da Pasta, para poderem ter liberdade total ao empregar os recursos. Conforme fonte do Diário, a negociação anda “a passos de tartaruga, porém só depende do DEM”. Se o partido aceitar o que foi imposto a todos os outros partidos, pode assumir a secretaria. Caso contrário, o governador não vai ceder. A reforma administrativa que o governador promoveu já no começo do ano não deixa mais espaço para contemplar indicações. Os partidos da base aliada já foram contemplados, inclusive nos cargos de segundo escalão das secretarias e autarquias. “Vão ter que fazer a indicação de um a um dos que terão que sair, se for do jeito que querem”, disse a fonte governista. O governador disse no começo desta semana que até sexta-feira o impasse deve ser resolvido com mais uma rodada de conversas. Silval já declarou diversas vezes que “só depende deles”. No entanto, ainda não foi marcado nenhum encontro. O nome convidado por Silval para o posto é do deputado José Domingos Fraga. Porém, ele não se mostra preocupado com a questão, já que tem seu cargo na Assembleia Legislativa. Em declaração no começo do mês, ele disse que essa articulação do partido seria boa para ele, já que teria mais autonomia na Secretaria. Do Democratas, o único descontente abertamente com essa indefinição e exigências do partido é o suplente de deputado Gilmar Fabris. Com a saída de Fraga, ele assumiria a vaga na Assembleia. Apesar de o DEM ter lançado candidatura de oposição ao governo Silval Barbosa na eleição 2010, Fabris esteve com o grupo governista, não apoiando o projeto do partido. Na eleição e reeleição de Blairo Maggi (PR) o DEM esteve no arco de aliança. Embora DEM e PSDB fossem adversários políticos históricos no Estado, eles se uniram, tendo como alicerce a aliança nacional das legendas. Porém, a composição não agradou às bases. No meio do caminho, diante dos baixos resultados do candidato ao governo, Wilson Santos (PSDB), muitos correligionários abandonaram o barco e, inclusive, declararam apoio ao peemedebista. Por conta dessa situação, lideranças do partido como o senador Jayme Campos e o deputado federal Júlio Campos consideraram que seria constrangedor a volta ao governo, mas atenderiam a pedidos da base.

Edição EDIÇÃO 16962




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