Primeira Página
Quarta-feira, 03 de Dezembro de 2014, 20h:30
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TERRA PROMETIDA
Geller sugere que Congresso investigue
Ministro da Agricultura propôs que deputados federais e senadores acompanhem investigações das denúncias de grilagem de terras no Estado
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
A fim de comprovar a sua inocência, o ministro da Agricultura Neri Geller (PMDB) sugeriu aos parlamentares do Congresso Nacional que formem uma comissão para verificar in loco as denúncias acerca de seu envolvimento no esquema ilegal de venda de lotes da reforma agrária em Mato Grosso. A proposta foi apresentada pelo peemedebista na manhã desta quarta-feira (3), durante visita à Casa de Leis. O ministro havia sido convocado para prestar esclarecimentos junto à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural sobre a decisão de transferir o controle de vacinas de febre aftosa do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) do Rio Grande do Sul para o de Minas Gerais. Diante disso, ele aproveitou a oportunidade para esclarecer os fatos sobre seu possível envolvimento no esquema ilegal desbaratado pela Polícia Federal por meio da operação Terra Prometida. Durante a investigação, num dos depoimentos à PF, uma testemunha aponta nomes de pessoas que seriam "laranjas" de Geller. Diz ainda que o peemedebista, "na condição de ministro da Agricultura, tem se empenhado em pressionar o superintendente do Incra através do presidente" do órgão. Apesar disso, Geller reiterou por várias vezes que não está sendo investigado na Operação. Por conta do foro privilegiado, as acusações contra o peemedebista deverão ser apuradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ministro, não há nenhuma prova contundente que justifique a instauração de uma investigação contra ele. O Ministério Público e a Polícia Federal podem me investigar nesse caso. Agora, não é justo. São denúncias anônimas, eu fui citado de forma muito vaga. Posso ser investigado, mas não quero ser achincalhado e não vou ser. Eu não sou [corrupto]. Por isso, estou pedindo: formem uma comissão, convoquem a Polícia Federal, vão lá ao assentamento. É importante, o Congresso tem que fazer isso. Não é justo, não é certo, disse em reunião da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. Geller ainda aproveitou a oportunidade para defender seus irmãos, Milton e Odair Geller, que estão presos preventivamente desde a última sexta-feira (28). Eles também são suspeitos de fazer parte do esquema. Segundo o peemedebista, Milton, que foi prefeito de Tapurah, mora em Nova Mutum, em apartamento alugado. O outro irmão seria sócio, junto com a esposa, do Grupo Geller, uma indústria de pré-moldados. O peemedebista não acredita no envolvimento deles e afirma ter orgulho da família que tem. Eu, como ministro, saio na mídia como quadrilheiro, como líder de um grupo organizado. Afirmo categoricamente para cada um de vocês: eu nunca tive um lote. Tenho um irmão mais velho que mora no assentamento. Minha mãe tem uma casa humilde lá, são 11 irmãos. Me orgulho da minha família, enfatizou. Diversos deputados saíram em defesa do ministro, manifestando solidariedade. Para os parlamentares, a culpa pelo problema seria do Incra, que não legalizou as terras que agora são utilizadas por produtores rurais. A culpa agora é desses brasileiros que estão lá e que pagam impostos? De repente, todos são presos porque estão dizendo que há um grande tráfico de influência, compra de terras ilegais. Ilegais por quê? Porque o Incra não legaliza. De repente, vira notícia nacional porque envolveu um sobrenome, discursou o deputado federal mato-grossense Nilson Leitão (PSDB). Apesar de garantir categoricamente que não faz parte de nenhum esquema criminoso, esta operação da Polícia Federal pode precipitar a substituição de Geller na chefia da pasta da Agricultura. Antes mesmo do episódio, a saída de Geller já era dada como certa na reforma ministerial. A presidente Dilma Rousseff escolheu a senadora peemedebista Kátia Abreu (PMDB-TO) para substituí-lo.