Primeira Página
Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013, 20h:54
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CARTAS MARCADAS
Fabris espera apoio de todos à CPI
O deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) disse não ter desistido de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar a si mesmo sobre o escândalo das Cartas Marcadas, no qual foi indiciado pela Polícia Civil. No fim da semana passada, o parlamentar usou a tribuna e chegou a dizer que ele mesmo se algemaria se alguma ilegalidade fosse comprovada. Fabris, no entanto, informou que o pedido formal para a instauração da CPI ainda está sendo feito. Ele também assume que ainda não coletou assinaturas para viabilizar a proposta, mas afirma ter certeza de que todos os deputados darão aval. Assinarão todos, claro. Quem não quer saber? Acho que os 24 deputados têm interesse em entender o caso e que se demonstre definitivamente o que aconteceu, defendeu o social-democrata. Gilmar Fabris foi indiciado pela Polícia Civil, juntamente com outras 19 pessoas, no fim do mês passado, por participação na emissão irregular de cartas de crédito a Agentes da Administração Fazendária (AAFs) da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). Em 2008, foi firmado um acordo entre o governo de Mato Grosso e a categoria dos agentes, que traria uma melhora no vencimento dos servidores. A ilegalidade teve início quando os envolvidos no esquema convenceram os agentes de que a melhor maneira para resolver o impasse trabalhista era tentar um acordo extrajudicial com o governo do Estado. O acordo previa a emissão de duas, mas foram emitidas sete cartas de crédito aos AAFs. De acordo com o inquérito final, a fraude gerou um prejuízo de quase R$ 500 milhões ao erário. O advogado Ocimar Carneiro de Campos, que é casado com a irmã da companheira de Fabris, foi apontado como peça-chave da ilicitude, pois teria ficado à frente das negociações entre o Sindicato dos Agentes da Administração Fazendária de Mato Grosso (Saaf-MT) e o governo. Seu papel era encobrir as ações de Gilmar Fabris, servindo de testa de ferro do referido deputado, diz trecho dos autos. Na conclusão do inquérito consta que Fabris se beneficiou financeiramente do esquema, pois sua companheira, Anglisey Battini Volcov, recebeu do advogado Ocimar de Campos, que representava os agentes, aproximadamente R$ 46 milhões em certidões de crédito, as quais foram, quase na sua totalidade, comercializadas. O deputado estadual nega as acusações e não descarta acionar judicialmente os delegados responsáveis pelo caso, alegando que o processo corria em segredo de Justiça e não poderia ter se tornado público. Toda a parte judicial está sob os cuidados do meu advogado, Paulo Budoia, que tomará as providências necessárias, informou. O parlamentar criticou a ação dos delegados por terem feito o que considerou prejulgamento dos envolvidos. Chamaram as pessoas de quadrilheiros, fizeram um prejulgamento daquilo de que eles não têm sequer conhecimento porque o processo tem mais de 100 volumes e eles chegaram lá há 20 dias, reclamou, pontuando não haver sequer um vestígio de pagamento ilegal. Essa seria a única quadrilha que existe sem pagamento de propina, disse. (TP)