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Quinta-feira, 04 de Fevereiro de 2010, 09h:34
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EFEITO PACENAS
Empreiteiras admitem desistir do PAC
Desde que receba pelos serviços prestados inicialmente pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento, empresas prometem recuar
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Diante do impasse a respeito das obras do Programa de Aceleração do Crescimento em Cuiabá (PAC) em Cuiabá, as empreiteiras que eram responsáveis pelos trabalhos agora mudam o discurso e já admitem que abrem mão da briga judicial se receberem o equivalente ao trabalho que já foi realizado. As obras do PAC estão paralisadas desde agosto do ano passado, quando foi deflagrada a operação Pacenas, pela Polícia Federal, apontando fraudes nos processo de licitação do PAC de Cuiabá e Várzea Grande. Conforme as investigações da PF, certames prévios já determinavam quem seriam os vencedores. Contudo, três meses depois da deflagração da Operação, o processo foi praticamente enterrado porque as principais provas de acusação, as escutas telefônicas, foram anuladas pela Justiça Federal. Desde então, prefeituras e empresas brigam na Justiça pela continuidade do PAC. Com discurso apaziguador, os empresários afirmam que só querem o bem de Cuiabá e, caso elas recebam pelo que já fizeram, se manterão distantes do novo processo de licitação. O empresário José Mura, dono da construtora Geosolo, diz que a questão do PAC em Cuiabá é meramente política. Não pagar as empreiteiras é uma quebra de contrato absurda, seja com empresa pública ou privada. Isso tudo é reflexo da proximidade de ano político, afirmou Mura. Já o empresário Jorge Pires de Miranda, proprietário da Concremax e representante do Consórcio Cuiabano, afirma que não está numa briga judicial. Quando a Justiça Federal anulou a Pacenas, se a prefeitura propusesse desde o inicio pagar pelo nosso trabalho, nós não estaríamos nessa posição agora. Queremos também que o PAC seja finalizado, nós moramos aqui e temos outros projetos. Quanto mais infraestrutura, melhor, disse Miranda. Conforme explicou o procurador-geral de Cuiabá, Ussiel Tavares, o pagamento só pode ser feito pela Caixa Econômica Federal, depois da medição do trabalho realizado. Essa medição é feita pela Caixa, em conjunto com técnicos da Sanecap e das empreiteiras. Desde agosto do ano passado, a prefeitura de Cuiabá trabalha em novo processo de licitação para dar continuidade ao PAC. O problema, segundo Tavares, é que o Executivo não é detentor dos projetos executivos das obras, imprescindíveis para a realização dos novos editais. Esse projetos foram feitos pelas empreiteiras, eu não posso me apropriar deles. Precisamos pagar por esses que estão prontos ou mandar fazer outro, explicou o procurador. Dois consórcios de empreiteiras, a LGL (formado pelas empresas Lince, Geosolo e Lage Engenharia) e o Cuiabano (Concremax, Três Irmãos, Lumen, Gemini e Encomind) conseguiram o direito de voltar às obras em primeira instância na Justiça estadual. Entretanto, a prefeitura recorreu da decisão, ganhou em caráter liminar no Tribunal de Justiça e agora espera a decisão de mérito, ou seja, a decisão final do Tribunal. A liminar em favor da prefeitura foi concedida pelo desembargador Rubens de Oliveira. MINISTÉRIO PÚBLICO Para o procurador da República Mário Lúcio Avelar, diante do exposto, a possibilidade das empresas receberem pelas obras que já foram feitas é viável, contudo ele defende que um novo processo de licitação seja realizado. As empresas receberem pelo trabalho que já foi realizado é uma possibilidade viável, mediante uma medição justa pelo que foi feito. Mas defendo que um novo processo para o término das obras seja realizado, afirmou o procurador.