Primeira Página
Segunda-feira, 02 de Junho de 2014, 20h:18
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Eder Moraes é preso novamente após dois dias de liberdade
THIAGO ANDRADE
Da Reportagem
Dois dias após ser solto, o ex-secretário de Estado Eder Moraes (PMDB) voltou a ser detido pela Polícia Federal, ainda em Brasília. A prisão ocorreu no último domingo (1), devido à decisão do juiz da Quinta Vara da Justiça Federal em Mato Grosso, Jeferson Schneider. Eder foi liberado na sexta-feira (30) por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que revogou a ordem de prisão expedida por ele próprio e cumprida no último dia 20, quando foi deflagrada a quinta fase da operação Ararath. A decisão do ministro, no entanto, não atingiu uma segunda ordem de prisão preventiva, expedida por Schneider na mesma ocasião e que, conforme a assessoria do Tribunal Regional Federal (TRF), até ontem, não havia sido revogada ou reformada. A defesa do peemedebista já entrou com uma reclamação de cunho constitucional junto ao Supremo para tentar reverter o quadro e colocar Eder novamente em liberdade. A intenção é de que o ministro Dias Toffoli decida o destino do ex-secretário. A estratégia de recorrer ao STF e não ao TRF se deu porque a Corte Suprema já se manifestou uma vez a favor de Eder. Já a Justiça Federal em Mato Grosso acatou na semana passada uma ação penal contra o peemedebista. Além de Eder, tornaram-se réus a esposa dele, Laura Dias, o ex-secretário-adjunto do Tesouro Estadual, Vivaldo Lopes, e o ex-gerente do BIC Banco, Luis Carlos Cuzziol. As acusações contra Eder somam 38 delitos, sendo alguns crimes, como o de lavagem de dinheiro, praticados por mais de uma vez. Somadas, as penas máximas relacionadas na decisão que aceitou a denúncia contra ele chegam a 314 anos de detenção. Eder Moraes é apontado com o principal operador do sistema de empréstimos ilegais e desvio de recursos públicos que funcionava por meio das empresas de Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça. Os depoimentos do empresário, pivô e delator do esquema, sugerem ainda que o ex-secretário operava em benefício próprio, mas também sob a orientação do senador Blairo Maggi (PR) e do governador Silval Barbosa (PMDB), à época dos delitos governador e vice, respectivamente. Eder foi transferido para Brasília por determinação do STF. O motivo alegado no pedido formulado pelo Ministério Público Federal é a influência exercida por ele no Estado. O temor é de que o ex-secretário pudesse, mesmo preso, atrapalhar as investigações que ainda estão em curso. O peemedebista está detido no Complexo Penitenciário da Papuda.