Primeira Página
Terça-feira, 10 de Abril de 2012, 21h:46
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JÚLIO PINHEIRO
CCJ é contrária à investigação
Para membros da comissão, não houve quebra de decoro pelo presidente da Câmara, já que cargo não foi usado para benefícios pessoais
RENATA NEVES
Da Reportagem
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal deverá se posicionar contra a abertura de investigação do caso referente à suposta ameaça feita pelo presidente da Casa, vereador Júlio Pinheiro (PTB), à sua esposa, Gisely Carolina Lacerda Pinheiro. O parecer será entregue na próxima quinta-feira (12). Presidente da CCJ, o vereador Marcus Fabrício (PTB) disse que não há motivos para abrir investigação ou punir o vereador por quebra de decoro parlamentar, já que sua esposa não registrou queixa contra ele. Não há fato concreto, afinal, a Polícia Civil arquivou o caso diante do posicionamento de sua esposa de não registrar queixa. Além disso, não houve quebra de decoro, pois ele não usou do cargo para obter benefícios pessoais, declarou o colega de partido. Questionado sobre os motivos que levaram à cassação do ex-vereador Ralf Leite e prováveis semelhanças entre as ocorrências, Fabrício disse que Ralf Leite usou o cargo de vereador para desacatar os policiais que o abordaram na região do Zero-Quilômetro, em Várzea Grande, onde estava na companhia de um travesti menor de idade. O mesmo não aconteceu com Júlio Pinheiro, em sua avaliação. Fabrício ressaltou ainda que uma provável punição a Pinheiro seria fruto de julgamento político, o que ele afirma que não fará. Julgamento político aqui tem que ser muito bem feito. Membro da comissão, o vereador Clovito Hugueney (PTB) disse que irá avaliar as informações que serão encaminhadas à CCJ para só então emitir parecer. Contudo, o parlamentar deixou claro que compartilha da mesma opinião de Fabrício. Quem sou eu para julgar alguém se a própria Polícia arquivou o processo?. Assim como Marcus Fabrício, Clovito acredita que o caso envolvendo Pinheiro é exclusivamente de foro íntimo e não deve influenciar nas atividades parlamentares. O mesmo posicionamento foi adotado por ele ao defender que o processo envolvendo Ralf Leite fosse votado novamente em Plenário. Agiram de forma errada com o Ralf. Afinal, ele foi cassado por ter saído com um travesti menor de idade e não pela agressão à namorada. Se fosse pela agressão eu até seria favorável à cassação, mas isso não consta no processo. Antônio Fernandes (PSDB), que também integra a CCJ, disse que não acompanhou a repercussão do caso e nem a coletiva concedida por Júlio Pinheiro e que, por isso, só irá se manifestar após tomar conhecimento dos fatos. Entenda o caso O fato aconteceu na madrugada da última sexta-feira (6). Em entrevista coletiva, Júlio Pinheiro afirmou que saiu da Câmara por volta das 17h e participou de reuniões políticas, onde ingeriu bebida alcoólica para comemorar o aumento de 10% do salário dos servidores municipais, aprovado pelos vereadores no período da manhã. O vereador garantiu, no entanto, que não agrediu sua esposa e ressaltou que ela não apresentou queixa contra ele.