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Sábado, 27 de Agosto de 2011, 12h:15

ENTREVISTA

Bezerra se lança na defesa de Silval

Líder do PMDB no Estado, o deputado federal Carlos Bezerra não poupa críticas aos governos anteriores e nem à atuação de Pagot no Dnit

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Diferente da maioria da classe política de Mato Grosso que considerou como uma perda para o Estado a saída de Luiz Antônio Pagot (PR) da direção nacional do Dnit, o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) acha que Mato Grosso ganhou. Segundo ele, “as coisas não estavam andando, mas agora vão andar”. Nesta entrevista ao Diário, Bezerra destila polêmica em vários assuntos. Além de não lamentar a saída de Pagot, ele manda outro recado ao PR: o PMDB não irá abrir mão de uma candidatura própria à prefeitura de Cuiabá em 2012, como sugerem alguns republicanos em contrapartida dada ao PMDB ao governo do Estado em 2010. Outra novidade é que o deputado não esconde a surpresa e até entusiasmo de ver seu nome colocado como candidato a prefeito de Rondonópolis em 2012 e não descarta a possibilidade de deixar a Câmara Federal para voltar à prefeitura. Na cidade, o PMDB já tem a prefeitura, com Zé Carlos do Pátio. Porém, a popularidade dele não está em alta e, além disso, tem problemas partidários, embora Bezerra afirme que o relacionamento com o prefeito seja bom. O deputado afirma que não há nenhum veto à candidatura de Pátio, mas que, embora seja um candidato natural à reeleição, será avaliado se ele tem condições de disputar e ganhar a eleição. Há duas décadas Bezerra controla o PMDB de Mato Grosso. Diário de Cuiabá - O senhor foi um crítico dos governos Dante de Oliveira e Blairo Maggi, principalmente no setor social. Como avalia a gestão do seu correligionário Silval Barbosa? Carlos Bezerra – Ele está começando o governo ainda. E no programa de governo dele tem uma agenda social muito forte. Mato Grosso deixou isso em segundo plano há muito tempo, mas essa agenda será cumprida porque ele é um homem de compromisso. Essas ações serão cumpridas, principalmente na educação, saúde e reforma agrária. Há um compromisso. É um compromisso do partido também. Diário - O que Silval precisa melhorar neste momento? Bezerra - Ele está indo bem. A dificuldade é porque o Estado está com dificuldade financeira muito grande. A agenda da Copa do Mundo atrapalhou um pouco, ele está arrumando isso agora. Ele é um bom executivo, está colocando o carro no trilho e a coisa vai andar. Uma das discussões foi a questão do VLT e BRT. Eu acho que foi adequada, não foi uma discussão infrutífera porque ele está optando por um sistema mais moderno, que vai atender Cuiabá por mais tempo. O raciocínio está correto e valeu a pena a luta que ele travou para mudar o modal de transporte em Cuiabá e Várzea Grande. Diário – O secretário de Meio Ambiente pediu exoneração por causa da pressão política e novas mudanças estão por vir. Essas alterações foram motivadas principalmente por críticas de deputados. Qual sua avaliação disso? Há uma crise entre Executivo e Legislativo? Bezerra – Mudanças são naturais. A posição do Legislativo é aprovar lei e fiscalizar. Mas tenho dito, no Brasil, não só em Mato Grosso, nós temos um despreparo político administrativo muito grande, não só aqui, em Brasília também. Gente que atende mal, não atende, ocupa o lugar público e fica com o rei na barriga, achando que aquele cargo é dele, é pessoal. Então, isso gera insatisfação. Isso tem aqui, em Brasília, em todo lugar. Agora, nós não podemos nos afogar num copo d’água por conta de secretário que não deu retorno, que atendeu mal, e achar que tem crise no governo. Não há uma crise, o relacionamento do governador com a maioria dos parlamentares é muito bom, ele militou na Casa durante dois mandatos, oito anos, conhece aquilo lá muito bem e tem ótimo relacionamento com todos os deputados. Diário - O PMDB terá candidato à prefeitura de Cuiabá? Bezerra – Deverá ter em todos os municípios-polos de Mato Grosso. A decisão do partido é essa. Certamente que Cuiabá, capital do Estado, reflete todas as outras e com certeza teremos candidato a prefeito em Cuiabá. Diário – Quais os nomes o partido tem para essa disputa? Bezerra – Temos vários, alguns podemos citar e outros não porque existe um processo de conversação que não está definido. Mas no dia primeiro de setembro teremos um ato de filiação e nesse dia deverá se filiar o jornalista João Dorileo Leal, que é candidato a candidato. O advogado Francisco Faiad também é candidato a candidato a prefeito, Victório Galli, também. Então, temos várias opções. Temos também mais dois nomes que estão sendo conversados. O certo é que teremos candidato em Cuiabá. Diário – Mas o PMDB não pode abrir mão de uma candidatura em nome de uma aliança com o PR, já que essa parceria vem aí há anos? Bezerra – Aqui na Capital não, porque tem dois turnos, então não há por que abrir mão, não se justifica. No interior pode até discutir, mas a ideia é ter candidato próprio em todos os municípios-polos. Mas aqui não tem por que não ter candidato, pode haver esse entendimento de aliança no segundo turno. Diário – O senhor está organizando um ato de filiação. Estão previstas quantas novas filiações e quem participa do encontro? Bezerra – Estão previstas muitas filiações de vários municípios e são vários candidatos a candidatos a prefeito. Virão dois aviões com lideranças do partido, o presidente nacional do partido, Valdir Raupp, o presidente Sarney, o líder no senado Renan Calheiros, líder na Câmara, Henrique Alves, o Gabriel Chalita, que é nosso candidato a prefeito de São Paulo. Eles participam de ato aqui e depois vão a Rondônia. Será um ato muito forte. Vamos filiar vários candidatos a prefeito, pelo menos 10 a 15 candidatos. Quero convidar a população através deste jornal para participar, dia 1° na Fiemtec - às 9 horas. Todos estão convidados. Nós queremos continuar como o maior partido de Mato Grosso. Diário – Até que ponto a saída de Luiz Antonio Pagot prejudica Mato Grosso? Bezerra – Eu acho que melhorou para Mato Grosso. As coisas aqui vão andar, vão acontecer, não estavam andando. Essa semana mesmo estive com o governador em Brasília e ele resolveu muitas questões pendentes. Esteve com a ministra Mirian Belchior, do Planejamento e resolveu questões no Ministério dos Transportes que não conseguia resolver. As coisas aqui vão andar, as obras urbanas aqui de Cuiabá vão sair, coisa que não conseguia sair do lugar, mas agora saiu. Diário – E por que não saía? Bezerra – Por má vontade, por incompetência, não sei por quê. Sei que não andavam, não andavam, e agora andou. Diário – Você está sugerindo que o Pagot... Bezerra – Não sei a razão, se é política, qual é a razão... O certo é que a coisa está andando com o novo ministro que está lá, com a ministra do Planejamento. Essas intervenções urbanas de Cuiabá que não se resolviam esta semana ficaram definitivamente resolvidas. Diário – O senhor chegou a criticar a atuação de Pagot em questões políticas no Estado, principalmente por conta da sua interferência em assuntos partidários. Como é a sua relação com ele atualmente? Bezerra – Minha relação é boa, normal, cordial, eu discuto questões políticas apenas, mas pessoalmente me dou muito bem. Diário - O senhor pretende continuar à frente da direção do PMDB. Por que? Bezerra – Isso depende dos companheiros do partido. Nós fazemos convenção e aí se decide isso. É uma discussão interna. Essa decisão não pertence a mim, pertence ao todo. O PMDB é um partido muito democrático. Isso é discutido amplamente. Companheiros de todo o Estado vêm pra cá para decidir. Então, essa decisão não me pertence. Diário – Mas o senhor já está à frente do partido há muitos anos... Bezerra – Isso é reconhecimento. Sou um homem que nunca mudou de partido, nunca vacilei ou fiz uso inadequado do partido. E tenho também oito mandatos pelo PMDB. Não é qualquer um na política que tem, em Mato Grosso talvez seja o único que tem esse número. Conquistei várias vitórias para o partido: prefeitura, governo do Estado e Senado e mantive a representação para o partido aqui no Estado e lá em Brasília. Diário - Como anda a sua relação com o prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio? Bezerra – É boa: conversamos, procuro ajudar o município naquilo que é possível, mantemos uma boa relação. Agora mesmo estive lá com o governador para ajudar a cidade. O governador vai dar todo apoio para administração para que ele faça o melhor possível. Diário - Pátio é o candidato do PMDB à reeleição? Bezerra – Poderá ser, depende do andamento das coisas na cidade, mas não há nenhum veto à candidatura dele como alguns apregoaram. Se ele for o nome ideal para o partido, será o candidato. Se tiver condições de vencer, de poder disputar e ganhar, ele será o candidato. Isso o partido levará para discussão em momento oportuno. Diário – Como mesmo lembrou aqui, o senhor tem uma trajetória política longa. Agora, tem mais quatro anos como deputado federal. Mas o que pensa para o seu futuro político? Ainda tem muita atuação pela frente ou pensa em pendurar as chuteiras? Bezerra – Olha, eu não penso nada. A verdade é que o homem público não se pertence. De repente, você é defrontado com uma realidade que não esperava. Eu já fui candidato sem querer ser candidato a um cargo, já disputei eleição perdida sem querer disputar, mas pelo partido disputei. Agora mesmo aconteceu uma surpresa nessa ida minha com o governador a Rondonópolis. Deparei-me com fato novo: a minha candidatura a prefeito da cidade na rua, pessoal defendendo até suprapartidariamente. Falei: meu Deus do céu, voltar à prefeitura?! Diário – O que o senhor achou disso? Bezerra – Para mim, foi surpresa, porque não me passa pela cabeça. Diário – Mas se o partido exigir, o senhor já disse que é um homem partidário. Bezerra – Eu não sei, isso é uma coisa complicada, tenho que avaliar com calma. Mas é uma coisa que você se surpreende e às vezes é levado por uma coisa que não esperava. Você vive uma vida em família com o partido, vive aquele sentimento e às vezes é levado a coisa inesperada. Mas estamos agora num trabalho de condução de partido para as eleições municipais. As maiores lideranças somos eu e o governador. Nós dois conduzimos isso. Mas ele está muito ocupado com as questões da condução do Estado, então a minha participação aqui na condução do partido aqui é imprescindível. Nós já temos candidatos em 80 municípios do Estado, fruto desse trabalho. Queremos chegar a 100 candidaturas e eleger pelo menos uns 40 prefeitos para ter uma representação boa e ir para a eleição de 2014 com força.

Edição EDIÇÃO 16967




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