Primeira Página
Quarta-feira, 23 de Março de 2011, 22h:13
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FOGO AMIGO
Base do governo não se entende na AL
Deputados da base de sustentação do governador Silval Barbosa (PMDB) apresentam questionamentos mútuos sobre a atuação de secretários na gestão estadual
HUMBERTO FREDERICO
Da Reportagem
Os deputados estaduais decidiram na sessão de ontem pela manhã fazer uma auditoria contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial nas contas da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), comandada pelo PT. À tarde, o deputado petista apresentou um requerimento para adotar o mesmo procedimento na Secretaria de Saúde, dirigida pelo PP. Ambos os partidos são da base aliada do governador Silval Barbosa (PMDB). Segundo o requerimento, que está em nome de lideranças partidárias, diversas denúncias chegam constantemente à Assembleia dando conta de que a Seduc seria usada para fins eleitoreiros. O requerimento do petista só será votado na sessão de hoje. As denúncias mais graves estão relacionadas a obras da Secretaria. Haveria um benefício a algumas empreiteiras que prestam serviço para a Pasta, pois há obras já executadas onde empresas ainda não receberam o dinheiro. Por outro lado, segundo o requerimento, haveria empresas que já receberam os recursos antecipadamente de obras que estão no começo ou sequer foram executadas. A abertura desta auditagem fez com que os deputados Ademir Brunetto (PT) e o presidente da Casa, José Riva (PP), discutissem dentro do plenário. Os dois são da base governista. Brunetto foi contra o requerimento, que pedia para a Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária contratar uma empresa externa para a análise contábil do órgão, referente aos anos de 2009 e 2010. Na época, a Pasta era comandada pelo agora deputado federal Ságuas Moraes, também do PT. Hoje, Rosa Neide Sandes Almeida está no comando da Secretaria. O petista apontou que as denúncias e a investigação seriam por motivos políticos e ameaçou pedir auditorias em outras secretarias estaduais, inclusive a Saúde, que hoje é comandada por Pedro Henry, do PP, mesma sigla de Riva. O presidente da Mesa não gostou das insinuações do colega parlamentar e criticou a postura de Brunetto. Temos obrigação de fiscalizar as denúncias que chegam aqui na Assembleia, não importa se somos da base governista ou não. Se você pedir uma auditoria por causa de denúncias na Saúde, vou assinar junto com você, pode ter certeza, declarou. Para finalizar, Riva ainda criticou o Partido dos Trabalhadores pelo fracasso da audiência pública para discutir o repasse dos hospitais regionais do Estado para as Organizações Sociais (OSs). Mais de 50% das pessoas que vieram para audiência fazer baderna eram os militantes do PT. Não vieram oferecer propostas, mas, sim, fazer barulho, concluiu. Outra denúncia, contida no documento está relacionada às irregularidades nos contratos temporários de serviços na Pasta. Segundo informações, há celebração de contratos com escolas desativadas. Outra irregularidade também apontada é relativa à contratação de interinos em municípios que possuem professores aprovados no último concurso público aguardando serem chamados, diz o requerimento. Os deputados Romoaldo Júnior (PMDB), líder do governo, votou contra a aprovação do requerimento. Ele disse ter conversado com a secretária de Educação e pediu mais diálogo entre ela e os deputados. Além de Romoaldo e Brunetto, os deputados Ondanir Bortolini (PR), o Nininho, e Ezequiel Fonseca (PP), ex-secretário-adjunto da Seduc, foram contra o requerimento.