Primeira Página
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, 00h:23
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ROMBO NA CÂMARA
Assessor de Lutero recebeu R$ 60 mil
Empresário declara à comissão que investiga vereador que devolveu dinheiro, em espécie, dentro de agência do BB após vencer licitação
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O empresário Udson Benedito de Campos declarou em depoimento na Câmara de Cuiabá que entregou R$ 60 mil em dinheiro ao assessor jurídico da gestão do vereador Lutero Ponce (PMDB), Hélio Hudson de Oliveira Ramos, e ao contador e advogado Marcos Davi de Andrade, dentro de uma agência bancária da Capital. A dupla é apontada pela Delegacia Fazendária como articuladora, a mando de Lutero, do suposto esquema de desvios milionários dos cofres da Casa nos anos de 2007 e 2008. Segundo o empresário, a quantia foi depositada pela Câmara em sua conta bancária, após sua empresa, do ramo de informática, ter sido anunciada a vencedora de licitação para o fornecimento de produtos. Ele sustenta que participou do certame a convite de Ramos, que teria o procurado na sede da empresa. Eles não teriam tido qualquer contato antes. Após o resultado da licitação, segundo Campos, Ramos lhe fez a proposta de que devolvesse R$ 60 mil pagos pela Câmara. O empresário declarou aos membros da comissão processante instaurada no Legislativo para investigar as denúncias contra Lutero que foi acompanhado por Marcos Davi até a tesouraria da agência do Banco do Brasil do Centro Político-Administrativo, enquanto o então assessor jurídico os aguardava para captar o dinheiro em espécie. Questionado pelos parlamentares se sabia que o arranjo configurava um crime, Campos fez declarações, no mínimo, comprometedoras. Conforme o empresário, ele achou que tudo estaria regularizado, legal, nas próximas licitações. E também confiei, complementou. A partir daí, a afirmação foi o cerne de um verdadeiro embate jurídico entre a comissão e a defesa do vereador Lutero Ponce. O depoente se recusou a responder parte das perguntas feitas pela defesa do parlamentar. Após admitir que já participou de outras licitações públicas, entre elas em órgãos do governo estadual, Campos declarou que a Servicom Informática está registrada oficialmente em nome de outra pessoa porque ele é devedor do fisco estadual. Questionado pela defesa sobre qual é o nome da empresa que acumulou tal débito, ele se negou a informar, respaldado pela comissão, cujo parecer jurídico sustentou que a pergunta saía do foco das apurações. Um cidadão bate na porta dele, oferece e não se questiona nada! Quero saber se as outras licitações que ele participava também eram assim. [...] Mas o que é pior é que a comissão está dando guarida a isso (o silêncio de Campos), protestou o advogado de Lutero, Paulo Taques. Em outro depoimento, o empresário Marco Antônio Pinheiro acusou a Delegacia Fazendária de ter sido tendenciosa no relato do depoimento que consta no termo de declarações. Ele afirmou que lhe foi negada uma cópia do documento, mas admitiu que o leu antes de assinar. Ao mesmo tempo, negou ter sido coagido. O empresário ainda relatou que um dos delegados declarou saber que ele pertencia ao esquema e ofereceu o benefício da delação premiada, o que já teria sido estendido a outros interrogados. Pinheiro disse ter recusado, por não dever nada.