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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014, 21h:40

Ararath se aproxima das Cartas Marcadas e Vespeiro

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
A entrada do suplente de deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) no rol de investigados da operação Ararath se deu por meio de seu envolvimento no esquema que desviou mais de R$ 493,9 milhões dos cofres públicos através de emissões fraudulentas de cartas de crédito desbaratadas pela operação Cartas Marcadas em 2011. A Polícia Federal chegou ao social-democrata após o depoimento dado pelo ex-secretário de Estado Eder Moraes junto à Justiça Federal. Em uma das oitivas realizada com o peemedebista, foi questionado sobre um suposto esquema de emissão de cartas de crédito. Nas outras fases, o foco da investigação foram pessoas e empresas que agiam como instituição financeira sem autorização do Banco Central e facilitavam a lavagem de ativos de origem ilícita, cujo dinheiro circularia num sistema financeiro paralelo sem controle e fiscalização. O inquérito policial que desvendou o esquema a cerca das cartas de crédito aponta o suplente de deputado como peça-chave na cooptação dos envolvidos. Conforme a investigação da Delegacia Fazendária (Defaz), o social-democrata teria usado da prática de tráfico de influência para articular a fraude, mas teve boa parte das ações encobertas pelo advogado Ocimar Carneiro de Campos. O inquérito descreve que, para dar início à fraude, o presidente do Sindicato dos Agentes de Administração Fazendária de Mato Grosso (Saafe-MT), João Vicente Picorelli, juntamente com seu vice, Alexandre de Freitas, precisou convencer os sindicalizados a fazerem um acordo com o governo do Estado. O objetivo era receber direitos trabalhistas sem a necessidade de aguardar a conclusão de uma ação judicial que já estava em andamento. Para convencê-los de que este seria o melhor negócio, contaram com Enelson Alessandro Nonato (integrante do grupo e um dos principais interlocutores entre o Saafe-MT e os agentes) e do diretor administrativo-financeiro do sindicato, Marcelo de Jesus Fonseca. Os agentes viram a proposta com bons olhos, já que há anos aguardavam uma solução para o caso e, desta vez, a promessa é de que seria em curto prazo. A ação do grupo foi facilitada porque a maioria dos agentes não fazia o controle das emissões das cartas. Após isso, o sindicato trocou os advogados que já cuidavam das ações por Rogério Silveira e Ocimar Carneiro de Campos, este último casado com uma irmã da então esposa de Gilmar Fabris. Assim como Fabris, Ocimar também foi alvo de busca e apreensão nesta sexta-feira (26) durante a sexta fase da Operação. Por conta destas ligações, A Auditoria Geral do Estado acredita que a Ararath é um desdobramento de operações anteriores, como a Cartas Marcadas e Vespeiro, que desarticularam esquema de desvio de R$ 12,9 milhões em recursos do Estado na Secretaria de Fazenda (Sefaz).

Edição EDIÇÃO 16967




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