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Quinta-feira, 09 de Abril de 2009, 21h:32
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ESCÂNDALO SEXUAL
Após dois meses, Ralf segue sem punição em processos
ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
Dois meses depois de ser preso em flagrante em companhia de um travesti menor de idade, o vereador Ralf Leite (PRTB) continua vitorioso no processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar que responde na Câmara Municipal de Cuiabá. Uma liminar do Tribunal de Justiça suspendeu temporariamente o processo que pode lhe custar a cassação de seu mandato. Ele foi detido no dia 6 de fevereiro. Informações apuradas pelo Diário dão conta de que já na próxima semana, a Comissão de Ética da Câmara deve protocolar recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para anular a suspensão. O prazo inicial para a conclusão dos trabalhos da Comissão encerra em 30 dias, já que a intenção da Câmara é encerrar o assunto em 90 dias. A princípio, a defesa do vereador protocolou o pedido de suspensão na Comarca de Cuiabá. No entanto, o juiz Alberto Ferreira, da Terceira Vara Especializada da Fazenda Pública negou, em liminar, a suspensão das investigações. Depois de impetrar um agravo de instrumento no TJ, o juiz Marcelo Souza de Barros deferiu o pedido que favorece Ralf. Os advogados de Ralf alegam que o processo disciplinar apresenta falhas na data da publicação oficial da instauração do processo, entre outras. Para os defensores do parlamentar, o processo é ilegal. A Comissão de Ética da Câmara, composta pelos vereadores Éverton Pop (PP) e Domingos Sávio (PMDB), recorreu da decisão e enviou explicações ao juiz da Quarta Câmara Cível do Tribunal. No entanto, a Justiça de Mato Grosso ainda não se posicionou sobre o recurso. Isso tem gerado certo desconforto por parte dos vereadores. Na prática, com o arrastamento do processo, o caso Ralf Leite acaba sendo foco de discussões entre os vereadores. Pop e Domingos Sávio reclamam que Ralf tenta fugir dos fatos e tumultuar as investigações. Segundo os parlamentares, até agora o vereador não prestou nenhum depoimento oficial na sindicância. Leite responde por quebra de decoro a partir da denúncia dos policiais que o prenderam de que ele teria tentado usar de sua prerrogativa como vereador para fazer ameaças aos PMs. Além da sindicância na Câmara, Ralf também responde na Justiça por crimes de exploração sexual, ameaça, falsidade ideológica e desacata a autoridade. No dia em que foi preso, Ralf afirmou ter sido extorquido pelos policiais que o prenderam. Mas, depois que a Polícia Militar determinou a abertura de investigação administrativa, o parlamentar também não compareceu à audiência designada pelo Comando da PM. Além dos crimes relacionados ao acontecimento do dia nove de fevereiro passado, ele também responde a processo na Justiça por crimes eleitorais. Ele é acusado pelo Ministério Público de comprar o apoio de um detento e seus familiares em troca de dinheiro e objetos de entretenimento. Na semana passada, a Justiça determinou a quebra de sigilo telefônico do vereador e de seu irmão. O processo corre na 37ª Zona Eleitoral e é instruído pelo juiz Rondon Bassil Dower.