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Sábado, 29 de Março de 2008, 14h:49

SERVIÇO PÚBLICO

Ala resiste à recondução de Márcia à Ager

Há mais de um mês está na Assembléia Legislativa a mensagem do governo que pede a chancela de um novo mandato à diretoria do órgão

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O pedido de recondução ao cargo da presidente da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager), Márcia Vandoni, e um diretor do órgão está há mais de um mês na “geladeira” da Assembléia Legislativa. Numa disputa política que se anuncia, o Poder Executivo terá de acionar as articulações junto à base governista para aprovar a mensagem sem turbulências junto à Casa. A chancela do Legislativo é prerrogativa à recondução. Além de Márcia Vandoni, o diretor de Energia da Ager, Pedro Paulo Nogueira, também está na reta final do período de gestão. Ele é cunhado do senador Jonas Pinheiro, morto em fevereiro. Pelo parentesco, Nogueira seria uma das indicações do político, aliado de primeira linha no governo Blairo Maggi (PR), o que levanta a tese nos bastidores de que pressões políticas pela transferência do cargo são inevitáveis neste momento. Independente de atributos técnicos, ele teria dificuldades em permanecer no posto sem a ‘guarida’ política. Audiência pública marcada para a próxima quinta-feira (3) na Assembléia promete ser o termômetro da receptividade ao nome de Márcia e Nogueira entre os 24 deputados estaduais. Encabeçando a trincheira de pressões, o deputado estadual José Riva (PP), veterano no legislativo, defende a negativa à renovação. Riva sustenta que a permanência por muito tempo num órgão como a Ager, que lida com concessões públicas, sempre embute em si o risco de ‘vícios’. A tese é de que há brechas a relações ‘espúrias’ com grandes empresas ligadas a serviços públicos. “Se o governo quer um trabalho consistente, teria que mudar a diretoria para que se tenha um trabalho isento e não viciado. Acho que não deveria haver a recondução. Esse é um setor muito delicado”. Ele afirma ter recebido diversas denúncias de empresários de que há um suposto beneficiamento ilícito a ala de firmas do setor de transportes na obtenção de licenças para a atuação na área, em contraste com a imposição de obstáculos burocráticos a outros prestadores de serviços que procuram a Ager. “Isso no mínimo precisa ser checado antes que a Casa tome uma decisão”, sentencia, ao informar que o documento enviado pelo governador está há mais de um mês nas mãos da Mesa Diretora da Casa. A morosidade na apreciação do expediente se avistava diante de críticas disparadas na Assembléia recentemente contra a gestão de Márcia Vandoni, dirigidas justamente por Riva. Num discurso inflamado na tribuna do Parlamento, o parlamentar pôs em cheque as credenciais da presidente a um novo mandato no órgão regulador. Ao se dirigir especificamente ao transporte intermunicipal em Mato Grosso, ele definiu a área como um verdadeiro caos. Além da existência de ônibus sucateados em algumas linhas, o parlamentar chamou a atenção aos rumores de que várias empresas em operação estão em condição de falência. “Muito se fala sobre isso. Se elas estão quebradas, qual é o por quê?”, questionou.

Edição EDIÇÃO 16962




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