AGE notifica Detri sobre contrato de seu antecessor
THIAGO ANDRADE
Da Reportagem
A Auditoria Geral do Estado (AGE) alertou o novo presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Eugênio Destri, sobre dois contratados, referentes à gestão de Giancarlo Castrillon, que sofreram grande elevação nos valores. Destri, todavia, afirma que ainda aguarda o relatório final da auditoria feita no órgão e nega ter sido notificado. Assim como seu antecessor, ele foi indicado ao cargo de presidente do Detran pelo primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado estadual Mauro Savi (PR). Com o fim do levantamento nos contratos firmados pelo Detran ao longo de 2013, a AGE encontrou duas possíveis irregularidades. Elas correspondem aos vínculos entre o departamento e uma empresa de segurança e outra de impressão. Conforme o auditor-geral do Estado, José Alves Pereira Filho, as duas contratações feitas na gestão de Castrillon sofreram grande elevação nos preços de um ano para o outro, o que as coloca em situação de alerta. Segundo José Alves, a notificação ao novo presidente o orienta para que os contratos sejam revistos. O objetivo é identificar o motivo do crescimento nos valores pagos em 2013, se comparado com o exercício de 2012, quando Castrillon ainda não era presidente. O auditor-geral afirma que todas as demais questões de custeio do departamento tinham valores correspondentes ao do ano anterior e que somente esses dois contratos chamaram a atenção. A auditoria foi solicitada pelo governador Silval Barbosa (PMDB), no final do ano passado. O pedido surgiu após a greve dos funcionários da autarquia, que pediam mais recursos para custeio do órgão. Os servidores afirmavam depender, até mesmo, de doações para conseguir papel para imprimir a documentação de usuários do departamento. Segundo eles, também contavam com a ajuda de donos de auto-escola e de prefeituras do interior para ter materiais de higiene pessoal nas unidades do departamento pelo Estado. O governador desconfiou da situação e quis saber onde foram investidos R$ 36 milhões repassados para o custeio do órgão. A situação de Castrillon se complicou ainda mais quando ele teve seu nome envolvido na operação Ararath, deflagrada em novembro pela Polícia Federal. Ele foi acusado de tráfico de influência e teve sua casa e gabinete como alvos de mandados de busca e apreensão. A PF encontrou uma grande quantidade de dinheiro no quarto do ex-presidente.