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Primeira Página
Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009, 00h:10

INQUÉRITO CONTRA FAIAD

Advogado evita comentar depoimento

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A Polícia Federal ouviu ontem o advogado Fernando Henrique Nogueira, testemunha do inquérito instaurado para apurar o suposto tráfico de influência praticado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mato Grosso, Francisco Faiad. Com cerca de duas horas de duração, Nogueira foi a primeira pessoa a prestar depoimento ao delegado Renato Sayão, responsável pelo inquérito aberto no dia 5 de outubro. Outra testemunha a ser ouvida foi o advogado Paulo de Oliveira, que trabalha no mesmo escritório de Nogueira. Nogueira é o responsável pelo mandado de segurança impetrado na Justiça Federal e que afastou Faiad da presidência da Ordem, em agosto deste ano. O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal, Julier Sebastião da Silva, que estava de plantão, deu provimento ao pedido do advogado, que acusa Faiad de se valer de privilégios e subterfúgios decorrentes do cargo que ocupa na OAB em benefício privado, provocando concorrência desleal. Porém, Faiad ficou fora do seu posto por menos de 24 horas. A medida provocou manifestações da classe, que alegou inconstitucionalidade por parte do juiz. A própria Justiça anulou a decisão, assim como o Tribunal Regional Federal, que mandou suspender o mandado. Apesar do mandado suspenso, o Ministério Público Federal solicitou investigações da PF baseadas nessa decisão da Justiça. Para Faiad, esse inquérito é um ato do juiz Julier Sebastião da Silva numa tentativa, como ele disse, de prejudicá-lo. “Tenho certeza de que essa é uma medida do Julier para me prejudicar, por isso estou totalmente tranquilo quanto a essa investigação. É bom que ela seja feita mesmo e fique provado que essas acusações são inverídicas”. Ele ainda afirmou que não foi notificado sobre o inquérito, e que só ficou sabendo das informações pela imprensa. “Eu até penso em procurar esse delegado, em me apresentar voluntariamente, até para saber mais sobre isso, já que até agora não fui notificado oficialmente”, completou Faiad. No depoimento à PF, Nogueira deu esclarecimentos sobre o mandado de segurança que impetrou na Justiça Federal. “Não posso falar mais nada para não atrapalhar as investigações e porque o inquérito corre em segredo de Justiça”, disse o advogado assim que saiu do depoimento. Os dois defendem partes diferentes num processo judicial de R$ 9 milhões que estão em jogo. Nogueira, no mandato, diz que Faiad praticou tráfico de influencia, causando concorrência desleal. Por meio de assessoria, o delegado afirmou que não irá comentar sobre o caso, já que corre em segredo de Justiça. Faiad está ocupa o cargo de presidente da Ordem desde 2007.

Edição EDIÇÃO 16962




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