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POLÍTICA
Terça-feira, 05 de Agosto de 2025, 17h:30

XADREZ PARA 2026

Postura de líderes do PL sugere preferência pelo nome de Pivetta

Presidente da Comissão Provisória Regional do PL, Ananias Filho se esforça para "aparar arestas" no partido de Bolsonaro

MARCOS LEMOS
Da Reportagem
Christiano Antonucci/Secom-MT
O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que deve ser o candidato da base do Governo ao Palácio Paiaguás, em 2026

O Partido Liberal (PL) entrou em "erupção" e, mesmo com o endurecimento e patrulhamento por parte do presidente da Comissão Provisória Regional, o secretário de Governo de Cuiabá, Ananias Filho, se percebe com clareza que o assédio do vice-governador e candidato a candidato a governador em 2026, Otaviano Pivetta (Republicano), tem surtido efeito.

Isso ocorre, segundo se apurou, principalmente, entre os três principais prefeitos do Estado: o de Cuiabá, Abílio Brunini; a de Várzea Grande, Flávia Morreti; e o de Rondonópolis, Cláudio Ferreira.

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Os três políticos, em algum momento nos últimos meses, deram declarações conflituosas pró-Otaviano Pivetta, que necessitaram passar por uma correção de rumos. Ou seja, os prefeitos declaram, Ananias Filho entra em cena, no melhor estilo Chapolin Colorado, com a famosa frase: "Não constavam com minha astúcia?". E o trem descarrilado volta a trafegar - de forma capenga, mas volta, mesmo com os estragos já feitos.

Após o próprio Abílio ter declarado, no fim do ano passado e no começo deste, em visita oficial aos deputados, na Assembleia Legislativa, que "vê com bons olhos" o nome de  Pivetta e, depois, retomar a defesa da candidatura própria do senador Wellington Fagundes (PL) - que seria "o candidato de Jair Bolsonaro" -, foi a vez da prefeita Flávia Moretti, em entrevista ao jornalista e marqueteiro Antero Paes de Barros, na Rádio Cultura.

A prefeita da segunda maior cidade de Mato Grosso e que carrega o "elemento surpresa", já que nunca havia disputado uma eleição e venceu um dos grupos políticos mais consolidados, e dentro do mais importante reduto eleitoral do seu adversário, o senador Jayme Campos (UB), deixou implícito em suas palavras: "Nuita água ainda vai passar por baixo desta ponte. Então, precisamos saber, após a abertura da janela (prazo para aqueles que detêm mandatos proporcionais, deputados federais e estaduais, possam trocar de partidos) qual será o tamanho do PL".

A prefeita de Várzea Grande salienta que, "como partidária", vai seguir a decisão do PL, mas sem citar o nome do candidato do partido.

Quando questionada pela jornalista Michely Figueiredo se seguiria com o senador Wellington Fagundes, respondeu: "Se o Wellington vier pelo partido... Mas, muita água ainda vai passar por baixo desta ponte"".

Flávia Moreti segue segue rasgando elogios ao vice-governador, que, para ela, "um baita de um nome e com uma visão governador e que, junto com Mauro Mendes, tem feito muito por Várzea Grande, que foi abandonada em um passado".

Essas sinalizações, quando nada, deixam claro que a extrema-direita prefere a candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos), com uma vice e uma candidatura ao Senadoa para o PL. Na realidade, para analistas, essa seria a estratégia da famíliaã Bolsonaro, que, conquistando mais vagas no Congresso Nacional, tanto de deputados federais quanto de senadores, poderia anistiar o ex-presidente e e demais golpistas e impor sanções e/cassação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro e a extrema-direta, como se sabe, se consideram "perseguidos" pelo STF, especialmente pelo ministro Alexandre de Moraes.

A máquina do Governo do Estado é um poderoso instrumento de convencimento eleitoral, e o vice-governador Pivetta e o próprio chefe do Executivo, Mauro Mendes (União, enquanto vive o dilema de se desincompatibilizar ou não para disputar o Senado em 2026, vão trabalhando para arrebanhar votos e apoios importantes, como o dos principais prefeitos de Mato Grosso.

Já Ananias Filho, que comanda com mão de ferro a Comissão Provisória Regional do PL e tem o apoio incondicional do presidente nacional, Valdemar da Costa Neto, "corrige" os rumos para que suas principais forças políticas não destoem do projeto Wellington Fagundes para governador e José Medeiros para Senador, e não fechem as portas, tanto para Mauro Mendes como para Otaviano Pivetta,desde que eles se encaixem na realidade da legenda liberal.

O dirigente reafirma, a todo momento, que o PL fez o "dever de casa" em 2024, nas eleições municipais, e, dessa forma, se cacifou para liderar a chapa majoritária, independentemente de ser coligar com aliados ou disputar com chapa pura.

Wellington Fagundes mantém a candidatura ao Senado do deputado federel José Medeiros, por saber da ligação do parlaentar com o clã Clã Bolsonaro e a extrema-direta do PL. Quando nada, seria um "passaporte" para a sua pretensão de liderar o partido para o Governo de Mato Grosso. Tanto que, no começo deste ano, Valdemar Costa Neto vetou o ingresso de Mauro Mendes e de Otaviano Pivetta no partido.

O próprio Abílio Brunin,i que rejeitava a todo momento a possibilidade da sua esposa, a vereadora Samantha Iris, ser candidata em 2026, passou a sinalizar a possibilidade de a primeira-dama entrar na disputa por uma vaga de deputada estadual, para reforçar a chapa do partido. Issp, no entanto, não passaria por uma candidatura a vice-governadora, na eventual chapa encabeçada por Pivetta, que buscaria buscaria um perfil feminino para seu projeto que visa à sucessão no Palácio Paiaguás.

A declaração da prefeita Flávio Moretti, quando nada, revelaria a estratégia de bastidores de repetir, em 2026, a coligação de 2022, quando Mauro Mendes foi candidato à reeleição ao Governo do Estado pelo União Brasil e Wellington Fagundes, pelo PL compôs a chapa majoritária, também candidato a reeleição  - só que ao Senado.

Essa reeleição de Wellington Fagundes o deixou em situação confortável, pois, se perder em 2026, volta para mais quatro anos de Senado. Se ganhar, quem completa seu mandato é o primeiro suplente, Mauro Carvalho, presidente do PRB e que, em um passado recente, já foi muito próximo do governador Mauro Mendes.

Os dois únicos detalhes que atrapalham os planos do Palácio Paiaguás é conter a revolta interna do União Brasil e o cacife político e financeiro do senador Jayme Campos, que, se for candidato ao Governo, pode "arrastar" uma eventual coligação com o Republicanos Pivetta para o buraco, Se for candidato à reeleição, coloca em risco à possível candidatura de Mauro a uma das vagas para o Senado.

A postura de Jayme está umbilicalmente ligada ao sucesso ou a derrota do União Brasil e do grupo político que se encontra rachado. O comentário, nos bastidores, é de que as eleições de 2026 não são favas contadas só porque o governador Mauro Mendes tem 70% de aprovação. Afinal, outros favoritos do passado atormentam o núcleo duro do governador do Estado.

Além disso, a fragmentação dos partidos que caminharam juntos desde 2018, 2020, 2022 e foram vitoriosos já começou a se desmantelar, por causa de claras traições nas eleições municipais de 2024 e que, certamente, vão repercutir em 2026. E há o fato de novos nomes na disputa, como Janaina Riva (MDB), que, se optar por disputar o Senado, se torna um obstáculo gigantesco para os adversários. E maior ainda, se decidir disputar o Governo do Estado.

Também nesta articulação está o senador licenciado Carlos Fávaro, ministro da Agriculturae Pecuária, candidato a reeleição. Mesmo estando aliado com à esquerda, tem o comando do seu partido, o PSD, liberado para a montagem do palanque em Mato Grosso, independentememte do palanque nacional, que passou a ter forte influência com o crescimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Edição EDIÇÃO 16967




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