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Cuiabá MT, Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

POLÍTICA
Quinta-feira, 19 de Março de 2026, 05h:49

REFERÊNCIA POLÍTICA

Brasil supera EUA em ranking mundial de democracia pela 1ª vez

Relatório aponta o país como o principal caso de reversão de retrocessos recentes, num grupo ainda pequeno de nações

LUCAS ALMEIDA
Da Folhapress - São Paulo
Reprodução
O levantamento coloca o país na 28ª posição entre 179 países, enquanto os Estados Unidos caíram para o 51º lugar

O Brasil aparece à frente dos Estados Unidos em um ranking global de democracia pela primeira vez, segundo o Relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

O Brasil subiu e os EUA despencaram no ranking.

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O levantamento coloca o país na 28ª posição entre 179 países, enquanto os Estados Unidos caíram para o 51º lugar, após uma queda abrupta no último ano.

A mudança reflete trajetórias opostas.

Enquanto o Brasil é citado como exemplo de recuperação democrática, os EUA passam por um processo acelerado de deterioração institucional, segundo os pesquisadores.

O país perde status histórico. Pela primeira vez em mais de 50 anos, os Estados Unidos deixaram de ser classificados como uma democracia liberal e passaram a ser apenas uma democracia eleitoral.

EM RECUPERAÇÃO DEMOCRÁTICA -

O Brasil lidera grupo que reverteu "autocratização".

O relatório aponta o país como o principal caso de reversão desses retrocessos democráticos recentes, dentro de um grupo ainda pequeno de nações.

O processo começou com crise política recente. A autocratização brasileira (quando um país vai perdendo características democráticas e concentrando poder em líderes ou grupos), segundo o estudo, teve início após o impeachment de Dilma Rousseff e se aprofundou a partir da eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

A reversão ocorreu após eleição de 2022. A vitória de Lula, apoiado por uma ampla coalizão, é apontada como o ponto de inflexão que interrompeu o processo de deterioração institucional.

A dmocracia foi preservada antes de colapso. Segundo o V-Dem, o Brasil conseguiu reverter o quadro antes de uma ruptura completa do regime democrático, o que o diferencia de outros países.

"Ainda assim, a sociedade brasileira permanece profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro. Bolsonaro, porém, está impedido de ocupar cargos públicos, após ser condenado por abuso de poder e tentativa de golpe", disse o relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem.

DETERORIAÇÃO SEM PRECEDENTES - Queda dos EUA é a maior da história recente. O relatório indica que o país registrou a maior perda anual já medida em seus indicadores democráticos.

Índices despencaram em um ano. O país teve queda de 24% no índice de democracia liberal e retornou a níveis comparáveis aos da década de 1960.

Concentração de poder é um fator central, segundo pesquisadores. O estudo aponta aumento do poder do Executivo, enfraquecimento de mecanismos de controle e pressão sobre Judiciário, imprensa e sociedade civil como principais causas.

Velocidade da queda chama atenção. Os pesquisadores classificam o ritmo de deterioração como "sem precedentes" entre democracias modernas, destacando o caso americano como atípico mesmo em um cenário global de retrocesso.

RETROCESSO DEMOCRÁTICO GLOBAL - O mundo vive nova onda de autocratização. O relatório aponta que quase um quarto dos países passa por retrocessos democráticos em 2025.

A democracia global voltou ao nível de 1978. Para o cidadão médio do mundo, os avanços conquistados desde a chamada "terceira onda de democratização" foram praticamente anulados.

Maioria da população vive sob regimes autoritários. Hoje, 74% da população mundial está em autocracias, enquanto apenas 7% vive em democracias liberais.

Países ricos também entram em declínio. O estudo destaca que grandes economias e democracias consolidadas - como EUA, Reino Unido e Itália- estão entre os casos recentes de deterioração institucional.

Impacto pode ser global. Segundo os autores, o enfraquecimento democrático em países influentes tende a afetar regras internacionais, comércio e a própria ordem global.


Edição EDIÇÃO 16956




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