A Justiça decidiu manter o traficante Paulo Witer Farias Paelo em isolamento, no Raio 8, da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
A decisão, de 21 deste mês, é da Turma de Câmaras Criminais Reunidas, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), presidida pelo desembargador Orlando Perri, e foi definida por unanimidade..
Foi negado agravo interno impetrado por Paulo Witer, conhecido como "WT" Farias Paelo, o "WT".
Leia também:
Chefe de facção usava times e cesta básica para lavagem de dinheiro
Advogado e mais 24 são presos por lavagem de R$ 65 mi para facção
O recurso questionava a inclusão do bandido em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado e a atribuição de efeito suspensivo a agravo em execução penal relacionado à decisão.
O relator, desembargador Marcos Machado, destacou que não cabe mandado de segurança para conceder efeito suspensivo a recurso de execução penal.
Paulo Witer cumpre pena de 30 anos, 7 meses e 28 dias de reclusão por roubos, furtos, falsa identidade e posse irregular de arma de fogo.
Ele foi incluído no RDD após investigações apontarem seu envolvimento como líder e tesoureiro da facção Comando Vermelho em Mato Grosso.
Ele é acusado de comandando atividades da facção criminosa, mesmo estando recluso.
Também é acusado de movimentar contas bancárias para lavagem de dinheiro, usar laranjas e determinar “salves”, segundo investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil..
“São fortes os argumentos trazidos pelo representante do Ministério Público e pela autoridade da Polícia Judiciária Civil, em que noticiam a prática de diversos crimes, teoricamente ordenados pelo apenado, que se encontra segregado em um dos convívios da PCE, fazendo uso de equipamento de telefonia celular, situação evidenciada pela abertura de conta bancária para o seu time de futebol "Amigos do WT", utilizando um celular que já o aguardava na cela”, diz trecho da sentença.
A decisão também determinou a manutenção do RDD por seis meses, com cela individual, visitas monitoradas, direito a banho de sol em horários restritos e fiscalização da correspondência.
A medida tem caráter cautelar e visa prevenir a prática de novos crimes ou subversões à ordem interna da unidade prisional.
Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus de WT, alegando violação do princípio de presunção de inocência e falta de provas em relação às acusações que pesam sobre ele.
Mas, o ministro Carlos Cini Marchionatti considerou que medidas cautelares seriam insuficientes para Paulo Witer, para conter sua atuação no Comando Vermelho.
O ministro ainda destacou sua "alta periculosidade e reiteração criminosa".
TIMES E CESTAS BÁSICAS - Em abril de 2024, investigações da GCCO), no âmbito da Operação Apito Final, identificaram um projeto audacioso de Paulo Witer Farias Paelo, um dos líderes de uma organização criminosa que atuava em Cuiabá, para a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
Conforme as investigações, ele é proprietário de um time de futebol amador, o Amigos WT, iniciou a construção de um complexo esportivo, no bairro Jardim Umuarama, o qual se chamaria Arena Vip Cuiabá.
O espaço ocuparia 10 lotes residenciais e envolve a construção de dois campos de futebol, academia, lojas e lanchonetes.
As investigações também apontaram que o grupo criminoso de WT atuava fortemente no bairro Jardim Florianópolis, onde o investigado possui diversos imóveis em nome de terceiros e realiza ações de assistencialismo, com a entrega de cestas básicas para as famílias, brinquedos e ovos de páscoa para as crianças.
OPERAÇÃO APITO FINAL - Paulo Witer foi preso no dia 2 de abril, na deflagração da a Operação Apito Final.
A ação policial foi resultado de dois anos de investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, criado por integrantes de uma organização criminosa, em Cuiabá.
Conforme as investigações, após deixar a prisão, em outubro de 2021, Witer, que já integrava a facção criminosa, se tornou tesoureiro do grupo e passou a movimentar cifra milionária, por meio de diversos esquemas de compra e venda de imóveis e veículos, além de um time de futebol amador, para dissimular e ocultar a origem ilícita dos valores.
Apenas no período apurado, a movimentação alcançou R$ 65,9 milhões.




