POLÍCIA
Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2010, 20h:30
A
A
EDIFÍCIO DUNHILL
Suicídio descartado pela polícia
A polícia descartou a hipótese de tentativa de suicídio para explicar a queda do estudante João Victor Leon Leite, 16 anos, do edifício Dunhill na madrugada do dia 28, em Cuiabá. De acordo com a delegada Liliane Murata, definitivamente não havia motivo plausível para corroborar a hipótese e, agora, resta à investigação determinar se João estava acompanhado no momento em que se precipitou da janela de um dos halls de elevadores. Seguindo a tese de que a queda tenha sido provocada involuntariamente pelo próprio estudante, conta a favor o fato constatado pela polícia de que João estava embriagado. De acordo com a delegada, imagens de circuito interno do prédio mostraram o estudante cambaleante. Isso reforçaria uma das hipóteses cogitadas, a de que João tenha se debruçado na janela do hall do elevador (que bate praticamente no peito de uma pessoa de 1,70m) a fim de vomitar ou chamar alguém no térreo, o que teria ocasionado a queda. Segundo o morador L., que viu as imagens, mas não quis se identificar, num primeiro momento o estudante entrou no elevador e apertou botões de vários andares, como se não conseguisse acertar o que desejava. Depois, teria voltado ao térreo e, uma outra pessoa, ainda não identificada, aparece nas imagens induzindo João de volta ao elevador e apertando um botão para ele subir sozinho. A partir daí, o que se sabe é apenas que João caiu numa estrutura de metal e vidro da área da churrasqueira, onde acontecia a festa da qual ele participava. Tratava-se de uma confraternização de amigos e alunos do colégio São Gonçalo, conhecidos de João, que agora estuda no Maxi. A festa começou por volta das 18h30 do dia 27. Segundo a delegada, havia bebida alcoólica em grande quantidade desde o início. Até o momento, também não há imagens de circuito interno ao menos divulgadas pela polícia que mostrem se João estava acompanhado no momento da queda. O morador L., entretanto relatou que, pelo estado de João nas imagens, somente com a ajuda de alguém ele teria o esforço necessário para subir na janela. L. mencionou outros fatos que deixam o caso mais intrigante. Disse que, logo após a queda, não havia sinais de violência nas janelas dos halls de elevadores. Porém, verificou que, de todas elas (que costumam ficar abertas para ventilação), exceto a do quarto andar tinha sido fechada. Segundo L., também foram encontrados objetos na escadaria de emergência do prédio: um copo descartável no sétimo andar, um chinelo de João no sexto, o outro pé no quinto e papel higiênico no quarto. Há outros dois fatos que podem contar nas investigações. O primeiro é o momento de gritaria e xingamentos ouvidos durante a festa instantes antes de João cair. Outro fato é que a motocicleta de luxo da família do morador que promoveu a festa foi encontrada suja com fezes, supostamente de um dos jovens. A polícia ainda aguarda laudos periciais e outros depoimentos para concluir o que levou à queda de João e de qual andar. Ontem, foram ouvidos o porteiro do edifício, participantes da festa e a mãe de um deles.