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POLÍCIA
Sábado, 24 de Novembro de 2012, 13h:51

SEGURANÇA

SP ainda é mais segura que Cuiabá

Apesar da onda de violência na capital paulista, ainda é mais seguro morar lá do que aqui, conforme dados levantados pelo Diário

ALECY ALVES
Da Reportagem
Apesar do noticiário nacional mostrar todos os dias a “onda de violência” em São Paulo, o que o cidadão paulistano vive hoje são dias de calmaria se comparado ao que acontece na Grande Cuiabá. Os cuiabanos e várzea-grandenses estão vivendo sob um risco de assassinato quase três vezes superior ao enfrentado pelos paulistanos, mesmo nos seus piores dias. Enquanto na maior capital do país ocorreu 1,55 homicídio para cada 100 mil habitantes em outubro – mês a partir do qual se intensificou a violência na cidade -, aqui esse índice chega a 4,16 na mesma proporção populacional. A diferença é de 168%. Em outubro deste ano, São Paulo, com 11,3 milhões de moradores, registrou 176 assassinatos. E olhe que a cidade já vivia uma explosão da violência, contabilizando um aumento de 114% em comparação a outubro de 2011, com registro de 82 mortes dolosas. Já em Cuiabá e Várzea Grande, cidades que juntas somam 820 mil habitantes, em outubro deste ano ocorreram 34 homicídios, conforme dados da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Se a comparação levar em conta os índices de setembro de 2012, os cuiabanos e várzea-grandenses perceberão que os perigos eram maiores ainda. Nas duas principais cidades mato-grossenses 36 pessoas morreram assassinadas – 4,39 para cada 100 mil moradores -, enquanto em São Paulo foram 143 casos, ou 1,26 na mesma proporção. Portanto, essa análise, além de não ser aleatória, tem o reconhecimento da própria polícia especializada na investigação dos homicídios. “Infelizmente, aqui os riscos são mais altos que em São Paulo. Essa é uma realidade que não tem como esconder, estão nos dados da polícia”, declara o delegado titular da DHPP, Silas Tadeu Caldeira. Conforme o delegado, a diferença entre as duas cidades está nas circunstâncias das mortes. Aqui, há muito tempo não ocorrem chacinas, ou seja, várias mortes no mesmo local. Na motivação, entretanto, assim como em todo o país, existem semelhanças. Uma delas é a relação como o consumo e tráfico de drogas. Silas Caldeira observa que na Grande Cuiabá, as drogas estão diretamente vinculadas a quase 50% dos assassinatos. Dívidas acumuladas na boca-de-fumo, acerto de contas no momento da divisão do dinheiro do tráfico ou mesmo desentendimento entre dependentes químicos aparecem entre as principais causas. O restante está subdividido em crimes passionais, motivados pelo ciúme; banais, brigas de bares, por exemplo; vingança, confronto de policiais com bandidos e de bandidos com bandidos, entre outros. Caldeira destaca que a polícia tem conseguido elucidar a maiorias dos homicídios. Na DHPP, diz, cerca de 75% das mortes são esclarecidas nas primeiras 72 horas, com autoria e motivo identificados. Depois disso seguem as investigações para descobrir motivos e prender os autores. O que fazer para diminuir os índices homicídios? Para Silas Caldeiras, ações sociais viriam em primeiro lugar. Melhoria da infra-estrutura básica dos bairros (rede de esgoto, iluminação pública, asfalto, moradia digna...), além da oferta de espaços de lazer, cultura e esportes, assim como mais segurança, são itens da lista do delegado. A prisão, permanência na cadeia, julgamento e condenação, ou seja, menos impunidade, seria outro fator primordial na redução das mortes violentas. E ainda, o poder público agir com eficiência para impedir que alguém que já cometeu vários crimes permaneça em liberdade para cometer outros.

Edição EDIÇÃO 16962




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