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POLÍCIA
Segunda-feira, 02 de Abril de 2007, 19h:51

EXPLORAÇÃO SEXUAL

Rede de prostituição é desarticulada

A polícia prendeu Guilherme da Cruz, que operava esquema de prostituição com o envolvimento de 50 garotas, pelo menos dez menores

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A prisão de Guilherme Rodrigues da Cruz, de 38 anos, levou policiais da Delegacia do Complexo do Planalto a desarticular um esquema de prostituição que envolvia 50 garotas, sendo ao menos 10 adolescentes, na capital. Pelo esquema, Guilherme agenciava as garotas para clientes que as levavam às boates de luxo da capital e festas em vários bairros. Uma casa no bairro Santa Rosa chegou a ser alugada para servir de local de encontros. Uma das garotas foi embarcada para Portugal, o que deixou a suspeita de que o esquema tenha ultrapassado as fronteiras, caracterizando crime de tráfico internacional de mulheres. O esquema levava garotas até para detentos nos presídios. Em um telefone grampeado com autorização judicial, Guilherme falou com um rapaz identificado como Marcides e combinou levar uma garota para um preso da Penitenciária Regional de Pascoal Ramos, onde teria um encontro sexual. Guilherme foi preso no último domingo à noite em seu apartamento no Residencial Paiaguás, nas proximidades do Detran. Com ele, policiais apreenderam várias páginas de um caderno universitário com mais de 150 nomes entre garotas e clientes, além de fotografias de garotas nuas. Havia fotos de uma adolescente de 13 anos. Os clientes exigiam garotas “iniciantes” e “principiantes”, o que na linguagem dos cafetões inclui garotas de 12 a 13 anos, preferencialmente. Caso não encontrassem meninas nessa faixa etária, os “clientes” acabavam optando pelas mais velhas. Segundo o delegado Paulo Alberto Araújo, ao menos 50 garotas e seis cafetões se beneficiaram do esquema. As investigações iniciaram em julho do ano passado, após uma denúncia. Com autorização judicial, os policiais fizeram escuta telefônica e chegaram até Guilherme, que se identificava como “cafetão” em várias ligações. Conforme as investigações, as garotas cobravam em média R$ 150 por programa. Ele ficava com R$ 50. Caso o valor fosse maior, Guilherme ficava com R$ 150. Os programas sexuais, além de na capital, eram feitos também em pousadas de Chapada dos Guimarães. “Nessas festas, as garotas apareciam como convidadas, mas agenciadas por Guilherme. A partir daí, os clientes saíam com elas mas antes pagavam pelo programa”, explicou um policial que participa das investigações. Em seu depoimento, Guilherme nega qualquer agenciamento de garotas. Disse não saber do que se trata. Ele foi indiciado pelo crime de exploração sexual e comercial de mulheres previsto no artigo 231A do Código Penal. O delegado lembrou que a lei pune com muito rigor os crimes contra os costumes, principalmente se houver a presença de adolescentes.

Edição EDIÇÃO 16967




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