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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

POLÍCIA
Quarta-feira, 10 de Março de 2010, 20h:56

DENÚNCIA

Preso por morte de PM fala em tortura

Cassemiro dos Santos, acusado de ter assassinado um cabo no Centro, contou ter sido queimado em sala reservada por militares após sua prisão

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi preso pelo assassinato do cabo PM Edson de Oliveira, de 43 anos, Cassemiro Moraes dos Santos, de 22 anos, relatou que foi torturado por policiais militares antes de ser levado para a delegacia. Disse que numa sala reservada aos militares teve o corpo embebido por álcool e, em seguida levou alguns choques de uma máquina elétrica. As faíscas, em contato com o álcool, provocaram fogo e o rapaz teve o tórax e parte do ombro queimados. A partir daí, foi levado para a DHPP, mas o delegado plantonista não aceitou recebê-lo em virtude dos ferimentos. Os policiais, então levaram Cassemiro para o Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC), onde foi medicado. Só em seguida, retornaram com ele para iniciar a confecção do flagrante. Policiais da DHPP fotografaram o preso para confirmar o depoimento. Cassemiro foi preso minutos após o assassinato do cabo PM, ocorrido anteontem à noite, no centro de Cuiabá. Com ele, policiais militares do 1º Batalhão apreenderam um revólver calibre 38. A execução ocorreu após uma abordagem feita pelo militar a três jovens que caminhavam pela rua Voluntários da Pátria. Na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Cassemiro alegou que saiu armado do bairro Praeirinho, onde reside, para “matar uma pessoa”. Ele estava acompanhado de dois colegas no momento da abordagem. Como somente Cassemiro foi quem atirou, o delegado plantonista arrolou os outros dois como testemunhas e, depois de ouvidos, foram liberados. Conforme o relato de outras testemunhas, o militar estava em trajes civis sentado numa mesa de um bar no beco do Candieiro, no início da avenida. Ao avistar três rapazes em atitude suspeita, resolveu abordá-los. O militar estava com sua pistola e, então interceptou os dois rapazes. “Havia um deles com um volume (por baixo da camisa), que seria o revólver, mas o policial revistou primeiro o rapaz que estava sem volume. O homem armado, no caso o Cassemiro, sacou o revólver e atirou duas vezes e acertou o cabo”, relatou uma testemunha. Levado ao Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC), Edson morreu durante o trajeto. Nesse ínterim, PMs que fazem o policiamento no Centro prenderam o autor do assassinato com a arma do crime. Cerca de uma hora depois, chegaram até os outros dois. Segundo o Comando da Polícia Militar, cabo Edson trabalhava no Grupo de Policiamento de Fronteiras (Gefron) na região de Cáceres. Ele ficava 15 dias em serviço e, depois, outros 15 na Capital, onde residia com a família.

Edição EDIÇÃO 16962




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