POLÍCIA
Sexta-feira, 03 de Junho de 2011, 21h:00
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CORRUPÇÃO
Policiais presos por se valerem de cargo
Cinco agentes civis tiveram preventiva decretada por suspeita de concussão e formação de quadrilha. Eles liberavam acusados da prisão
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Cinco policiais civis tiveram a prisão preventiva decretada por crimes de concussão (que é praticado por um funcionário público aproveitando-se do cargo) e formação de quadrilha. Eles foram presos ontem de manhã. Trata-se de Manolito Delfino Cesar, Airton Borges Junior, Edson Martins da Silva e Claudio Roberto da Costa. O quinto, Paulo Brito, se apresentou no final da tarde. A prisão deles foi decretada na semana passada após o término das investigações envolvendo extorsões que se iniciou no dia 3 de maio, com a prisão do policial civil Edivaldo Santos Moraes, o Montanha, por concussão e tráfico de drogas. Os cinco foram interrogados na Corregedoria e levados para o Cadeião de Santo Antônio de Leverger, onde funciona um presídio para policiais civis e militares. O advogado Janone Pereira, que defende o policial Edson Martins, informou que está tomando todas as providências cabíveis para conseguir colocar seu cliente em liberdade. Estamos analisando as medidas urgentes a serem tomadas, frisou. Conforme a Corregedoria Geral da Polícia Civil, após a prisão de Edivaldo, os cinco policiais foram ouvidos e saíram indiciados por fazer parte de um esquema, iniciado desde o ano passado, que envolve também o uso de viaturas descaracterizadas. Os policiais foram apontados pelo próprio Edivaldo que teria a garantia da delação premiada dos promotores do Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco). Pelo esquema, os policiais pegavam dinheiro de pessoas com prisão preventiva decretada e davam a garantia de que não seriam presos, mediante propina. As investigações apontam que os 14,5 quilos de maconha apreendidos com o policial foram tomados por ele de um traficante na região do CPA. Com a droga na viatura descaracterizada, ele foi receber o dinheiro de uma mulher acusada de tráfico, que fingiu pagar R$ 3 mil para não ser presa por causa da prisão preventiva decretada contra ela. A maconha seria negociada em seguida. A prisão do policial Montanha ocorreu no dia 3 de maio à tarde, em local próximo à ponte Sérgio Mota, do lado de Várzea Grande, após o policial receber a propina e colocá-la na jaqueta. Assim que saiu com a viatura, foi seguido pelos outros policiais. O investigador praticou o crime de concussão e tráfico de drogas, que é mais grave. O policial procurou uma pessoa que está com a prisão preventiva decretada pela Justiça e, para que não fosse presa, deveria pagar-lhe uma certa quantia em dinheiro. A pessoa, então procurou o Gaeco, que entendeu se tratar de concussão, mas precisava de uma prova para dar materialidade ao crime.